O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, afirmou nesta terça-feira, 9, que não há, em seu voto na ação penal sobre a tentativa de golpe de Estado gestada no governo Jair Bolsonaro, “recado, mensagem ou backlash”, mas um exame estrito do que está nos autos. Segundo o ministro, não há um julgamento de “posição política A ou B”
O magistrado lembrou que a Corte máxima já julgou políticos de diferentes posições, partidárias e ideológicas”. “Outro dia teve o julgamento do Mensalão. Esta Corte negou habeas corpus ao hoje presidente Luiz Inácio Lula da Silva”, destacou.
O ministro disse ainda que é “bom” que o julgamento é tão criticado, mas se espera que as críticas sejam lastreadas nos autos. Ressaltou ainda que o julgamento em curso não é um “julgamento das Forças Armadas”.
Dino afasta chance de anistia para Bolsonaro
Dino citou os votos dos ministros Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Cármen Lúcia e Luiz Fux em votações recentes que trataram de perdão a crimes contra o Estado democrático de direito, a exemplo do indulto concedido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a favor do ex-deputado federal Daniel Silveira. Todos foram contra anistiar investidas contra a ordem democrática.
O ministro fez questão de ler o voto de Fux na ocasião: “crime contra o estado de democrático de direito é um crime político e impassível de anistia, porquanto o estado democrático de direito é uma cláusula pétrea, que nem mesmo o Congresso pode suprimir”. Fux, que se senta ao lado de Dino, é visto por bolsonaristas como a única esperança de haver divergência ou proposta de redução de penas na Primeira Turma.
A menção à anistia ocorre no momento em que líderes do Centrão e da extrema-direita se alinham em favor do perdão aos golpistas condenados pelos atentados de 8 de Janeiro e possivelmente de demais pessoas envolvidas em atos antidemocráticos, o que pode beneficiar os réus do núcleo crucial da trama golpista, como Bolsonaro.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), tem sido constantemente pressionado por parlamentares bolsonaristas a pautar a anistia ampla e irrestrita às pessoas envolvidas em ato golpistas, tendo em vista beneficiar Bolsonaro. Motta resiste, mas o líder do PL, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), ostenta o apoio do centrão e diz contar com quase 300 assinaturas a favor do projeto de lei.
Apesar da pressão dos deputados, a anistia não avança porque o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), já se posicionou contra a anistia e discute um projeto alternativo, com anuência dos ministros do STF, de redução das penas dos condenados.

