Nesta segunda-feira, 21 de setembro, é celebrado o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, data que reforça a importância da inclusão, da acessibilidade e da garantia de direitos. Mais do que uma data de conscientização, o momento também chama atenção para os desafios que ainda fazem parte da rotina das pessoas com deficiência, inclusive no mercado de trabalho.

Um dos pontos que apresentou crescimento nos últimos anos foi a presença desse público no mercado formal. Em 2008, cerca de 189 mil pessoas com deficiência e trabalhadores reabilitados estavam empregadas formalmente no Brasil. Em junho de 2026, o número ultrapassou 614 mil, um crescimento de aproximadamente 225%. Em Minas Gerais, são mais de 52 mil trabalhadores com deficiência contratados formalmente, enquanto Belo Horizonte reúne mais de 19 mil.

Parte desse avanço está relacionada à Lei de Cotas, que determina que empresas com 100 ou mais funcionários reservem de 2% a 5% de seus cargos para pessoas com deficiência e trabalhadores reabilitados, conforme o número de empregados. 

Mas a inclusão não termina com a contratação. A permanência no emprego, a acessibilidade, as condições adequadas de trabalho, a possibilidade de crescimento profissional e o combate ao preconceito também fazem parte desse processo. A legislação garante direitos como a não discriminação na contratação e na remuneração, além da necessidade de adaptações para que o trabalhador possa exercer suas atividades. 

Uma trajetória de 25 anos no serviço público 

Adriana Coelho é cadeirante, formada em Administração, pós-graduada em Gestão de Pessoas e Liderança e construiu uma trajetória de 25 anos no serviço público. Ao longo da carreira, vivenciou diferentes desafios relacionados à inclusão e à acessibilidade no ambiente profissional. 

No início da carreira, Adriana encontrou obstáculos que iam além da própria deficiência. A falta de rampas, banheiros adaptados e outras estruturas de acessibilidade fazia parte da realidade do ambiente de trabalho. Além das barreiras físicas, ela também precisou lidar com olhares preconceituosos e com a ideia equivocada de que uma limitação física poderia significar menor capacidade profissional. 

“A inclusão no mercado de trabalho é uma pauta frequentemente discutida sob a ótica de leis, cotas e acessibilidade. No entanto, vivendo na pele como profissional cadeirante, aprendi que o verdadeiro processo de integração vai muito além das reformas estruturais: ele se consolida no plano do respeito, das atitudes e do reconhecimento profissional”, afirma Adriana. 

Com o passar dos anos, algumas mudanças estruturais aconteceram. Adriana acompanhou a construção de passarela, rampas de acesso e a adaptação de banheiro. Para ela, porém, as transformações mais importantes também aconteceram nas relações dentro do ambiente profissional. 

“A vitória mais marcante não foi no concreto, e sim nas pessoas. Aos poucos, fui angariando o respeito e a confiança de todos ao meu redor, desconstruindo estigmas e reeducando o ambiente de trabalho”, resalta. 

Inclusão vai além da vaga 

A realidade de Adriana se relaciona com um dos principais desafios apontados quando o assunto é inclusão profissional: garantir que a pessoa com deficiência não apenas consiga uma vaga, mas tenha condições de permanecer, desenvolver suas habilidades e construir uma carreira. 

Mesmo com o aumento da presença de pessoas com deficiência no mercado formal, ainda existem desafios relacionados à acessibilidade, qualificação profissional, adaptação dos ambientes e combate ao preconceito.  

Em Minas Gerais, órgãos como a Superintendência Regional do Trabalho acompanham o cumprimento da Lei de Cotas. O Ministério Público do Trabalho também recebe denúncias relacionadas a situações como discriminação, assédio e falta de acessibilidade no ambiente profissional. 

Neste 21 de setembro, a história de Adriana se soma aos números para mostrar que a discussão sobre inclusão precisa ir além da abertura de vagas. A construção de um mercado de trabalho mais acessível envolve respeito, estrutura adequada, igualdade de oportunidades e reconhecimento profissional. 

“A minha história provou para mim e para todos ao meu redor uma verdade fundamental: a competência profissional independe totalmente da condição física. Talento, dedicação e capacidade técnica residem na mente e no empenho, e nenhuma cadeira de rodas limita essas qualidades”, destaca Adriana. 

A data, portanto, reforça uma discussão que permanece atual: garantir que as pessoas com deficiência possam não apenas entrar no mercado de trabalho, mas exercer suas funções com autonomia, desenvolver suas carreiras e ocupar seus espaços com os mesmos direitos e oportunidades.