A Secretaria Municipal de Educação (SME) de João Monlevade realizou, na segunda-feira (14), o Encontro de Formação da Educação Especial Inclusiva, direcionado a gestores da Educação Infantil e do Ensino Fundamental da rede municipal. O objetivo da capacitação foi apresentar a Política Nacional de Educação Especial Inclusiva, discutir os avanços já implementados na rede e ampliar a compreensão sobre barreiras de acessibilidade enfrentadas por estudantes público-alvo da educação especial.

A programação também incluiu debates sobre a importância do trabalho colaborativo entre professores regentes, docentes do Atendimento Educacional Especializado (AEE), equipe gestora, profissionais de apoio e famílias.

Apresentação musical marca abertura do encontro

A abertura do evento contou com uma apresentação musical do estudante Otávio, da Escola Municipal Governador Israel Pinheiro (Emip). O aluno, que tem cegueira, adaptou o teclado do próprio notebook para tocar notas musicais e se apresentou ao lado das cantoras Roberta e Charlote, integrantes do Coral Monlevade EnCanto.

O diretor da Emip, André Luiz, destacou o impacto do ambiente escolar no desenvolvimento do estudante. “O Otávio é um dos alunos protagonistas da nossa escola, um estudante que veste a camisa. Hoje a gente vê nele uma inclusão perfeita: ele é um aluno independente, que corre atrás e que realmente faz a diferença”, afirmou.

Secretária destaca compromisso com atendimento humanizado

Durante a acolhida aos participantes, a secretária de Educação, Alda Fernandes, ressaltou a relevância do tema para a rede municipal, que atende 6.457 alunos matriculados. “Este encontro trata de um dos eixos centrais da nossa Secretaria, que é a Educação Inclusiva. Temos muitos alunos que precisam desse acolhimento e desse direito inclusivo pela aprendizagem, para que sejam tratados com respeito, dignidade, atenção e afeto. As crianças são diferentes, todos nós somos diferentes, e os direitos precisam ser garantidos com equidade”, disse a secretária.

Barreiras de acessibilidade e avanços da rede

O encontro também abordou os conceitos do Atendimento Educacional Especializado (AEE) e o modelo social da deficiência. Os participantes discutiram os diferentes tipos de barreiras — atitudinais, comunicacionais, arquitetônicas e metodológicas — que, segundo a organização do evento, precisam ser eliminadas nas escolas para garantir acesso, permanência, participação e aprendizagem dos estudantes da educação especial.

A equipe da SME apresentou ainda os avanços da rede em 2026, entre eles o monitoramento contínuo nas unidades escolares, formações voltadas a profissionais de apoio e a implementação de quatro novas Salas de Recursos Multifuncionais (SRM) nos Centros Municipais de Educação Infantil (Cemeis) Sion, Maria Vitória, Imaculada Conceição e Padre Henriques.

Palestra aborda estratégias para alunos com TEA

O encontro contou também com uma palestra da médica Ana Beatriz Dutra, que atua no Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (Caps IJ) e no Serviço Especializado em Reabilitação da Deficiência Intelectual (Serdi) de João Monlevade. A apresentação tratou da inclusão de alunos com sinais do Transtorno do Espectro Autista (TEA) e de estratégias de manejo comportamental e regulação em sala de aula.

Para a médica, a integração entre os olhares clínico e pedagógico é essencial para o desenvolvimento de crianças neurodivergentes. “Nós fizemos um link entre educação e saúde para entender, tanto do ponto de vista médico quanto pedagógico, quem é esse sujeito na sala de aula e como o professor pode lidar com as crises de regulação. Nós não estamos falando sobre incapacidades, mas sobre futuro, esperança e possibilidades”, afirmou Ana Beatriz Dutra.