(*) Márcio Passos
O Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de João Monlevade está completando 75 anos de atividades e comemora também os 40 anos da histórica greve de 1986, inclusive com livro do Eliseu Antônio de Assis.
Ao contrário do que alguns acreditam, tenho enorme respeito e admiração pela história de trabalho dos sindicalistas de João Monlevade, que transformaram o daqui num dos mais importantes do Brasil no início da década de 80, porta de entrada de Lula em Minas Gerais.
José Francisco, José de Alencar, Gilberto, Leonardo Diniz, Antônio Ramos, João Paulo Pires de Vasconcelos e Wilson Bastieri, entre tantos outros, arriscaram o emprego e a vida para fortalecerem a representação e a história do sindicato.
Decisões com viradas de noites, debates permanentes com os filiados, assembleias, cansativas e dificílimas reuniões com a chefia da Usina e diretores da empresa. Eles superaram as dificuldades e venceram com muitas conquistas, sacrifícios de alguns e de outros nem tanto.
Sou testemunha pessoal da “guerra” e muitos me viram como adversário do sindicalismo ou comprometido com a empresa. Nunca me importei com isto, nem mesmo quando me ameaçaram e fizeram uma fogueira com 500 exemplares na principal portaria da usina.
Dois ou três anos antes eu iniciava A Notícia e priorizei a independência editorial como forma de garantir a credibilidade do jornal, o que vem sendo mantido há mais de quatro décadas. Erramos? Claro, como também deve ter errado a representação trabalhista, mas esta é uma discussão que nada acrescenta.
O que vale agora, representa muito e dignifica toda a classe é a dedicação e compromisso de tantos que se dedicaram aos interesses dos trabalhadores. Hoje, me curvo respeitosamente à história que escreveram e torço para que toda Monlevade reconheça o que construíram.
(*) Márcio Passos é jornalista e fundador do A Notícia
@marciopassositabira


