O ensino da história e da cultura afro-brasileira na rede municipal foi tema de discussão na Câmara de João Monlevade nesta quarta-feira (2). O vereador Marquinho Dornelas (Republicanos), que é pastor evangélico, levou à tribuna questionamentos recebidos sobre uma atividade da Escola Municipal Germin Loureiro.
Segundo Dornelas, a escola teria solicitado autorização dos pais para que alunos participassem de uma dança envolvendo Zé Pilintra, entidade cultuada pela Umbanda. O vereador afirmou, na tribuna, que é necessário esclarecimento e que enviaria ofício à Secretaria de Educação e à direção da escola sobre a situação.
O vereador Sinval Dias (PL) também criticou a iniciativa e a Secretaria de Educação. Ao comentar o conteúdo, ele subiu o tom e associou a atividade cultural à “macumba” afirmando: “Estão levando uma coisa espírita, assim… Espírita nada, talvez até macumba, lá para dentro da escola”.
A líder do governo, Maria do Sagrado (PT), explicou que as atividades seguem a Lei Federal nº 10.639/2003, que tornou obrigatório o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira nas escolas. Segundo ela, a abordagem é histórica e cultural e deve respeitar a laicidade do Estado. A legislação determina o estudo da história da África e dos africanos, da luta dos negros no Brasil, da cultura negra brasileira e de sua contribuição para a formação da sociedade. A lei não estabelece o ensino ou a prática de uma religião.


