O Conselho de Patrimônio de João Monlevade aprovou, nesta quinta-feira (3), o projeto de restauração da Igreja São José Operário. A decisão ocorreu após a análise de uma nova versão do memorial descritivo e do projeto executivo parcial, que incorporaram correções e esclarecimentos solicitados pelos conselheiros em reunião anterior.

Conforme a ata da reunião, a proposta foi reapresentada pelo gestor do projeto, Kemmerson Drummond, com orientações técnicas da arquiteta e urbanista Bruna Caldas, da RM Cultural, consultora da Fundação Casa de Cultura para assuntos relacionados ao patrimônio. Segundo ela, os documentos revisados passaram a detalhar melhor as intervenções previstas e atenderam às diretrizes de preservação do imóvel tombado.

Entre os pontos analisados esteve a mesa do altar. O projeto não prevê a substituição integral da peça, como observado anteriormente. A orientação é pela recuperação e conservação das partes existentes. Caso algum trecho não possa ser recuperado e seja necessária uma substituição que altere o que foi aprovado, a intervenção deverá voltar a ser submetida ao Conselho.

Outro destaque é a acessibilidade. O projeto prevê a implantação de uma rampa na parte posterior da igreja, vencendo um desnível de 2,77 metros e permitindo o acesso à capela e à nave lateral esquerda. A solução foi planejada de forma a reduzir o impacto na visualização do conjunto arquitetônico.

Também estão previstas o alargamento do passeio de acesso para 1,50 metro, instalação de corrimãos e iluminação por balizadores, adaptação dos banheiros, construção de fraldário e uma pequena rampa para acesso à edificação anexa. A varanda da área anexa também terá um aumento considerado discreto, sem impacto visual significativo.

Recuperação das pedras e muro

As pedras externas da igreja também serão retiradas para tratamento e, sempre que possível, reutilizadas. Quando houver necessidade de substituição, deverá ser empregado material de padrão equivalente, preservando as características originais do imóvel.

Na área posterior direita, o projeto prevê ainda adequações no muro, instalação de guarda-corpo e intervenções voltadas à segurança e acessibilidade. A elevação de um trecho do muro, de 60 centímetros para 1,20 metro, chegou a gerar questionamentos durante a reunião. A justificativa apresentada foi a necessidade de reforçar a segurança do local e atender a exigências da Defesa Civil relacionadas à obtenção do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB).

O projeto também contempla o tratamento de uma erosão existente no muro posterior, com limpeza da área e medidas para evitar o avanço do problema. A drenagem da água da chuva está prevista e passa por ajustes técnicos, especialmente para proteger a encosta e o muro lateral direito da igreja.

A intervenção na parte posterior também pretende valorizar uma área onde existe uma imagem de São José e que atualmente é pouco utilizada. A solução foi discutida justamente para conciliar o aproveitamento do espaço com a preservação da leitura arquitetônica da igreja.

Aprovação sem condicionantes

Após os esclarecimentos técnicos, os conselheiros consideraram sanadas as dúvidas apresentadas anteriormente. Representantes do CAU, CODEMA, CREA, área de História e Geografia e demais integrantes do Conselho manifestaram-se favoravelmente à proposta.

A presidente do Conselho de Patrimônio, Nadja Lírio Furtado, submeteu o projeto à votação. A aprovação ocorreu por unanimidade e sem condicionantes, autorizando a emissão da certidão de aprovação do projeto de restauração da Igreja São José Operário.

Apesar da aprovação, algumas etapas deverão ser cumpridas antes e durante a execução da obra. Entre elas estão o envio da documentação final assinada, o arquivamento do projeto executivo, a apresentação do projeto de drenagem e a juntada dos Registros de Responsabilidade Técnica (RRTs) quando a fase executiva estiver definitivamente estabelecida. O Conselho também deverá acompanhar a execução da obra, como parte de sua responsabilidade pela preservação do patrimônio histórico e cultural do município.

A expectativa é de que a certidão de aprovação seja emitida rapidamente. Durante a reunião, Kemmerson Drummond solicitou celeridade no documento devido a um prazo acordado com a Prefeitura e com o responsável pela iniciativa, com previsão de envio da documentação até o dia 7. A Fundação Casa de Cultura informou que a certidão poderia ser emitida ainda nesta quinta-feira, após a assinatura dos conselheiros. Agora, conforme apurado, a certidão será enviada ao Ministério Público, comprovando que o conselho aprovou para avanço de outras partes do projeto de restauração da igreja.