Um grupo formado por diretores, professores, gestores e profissionais da rede municipal de ensino esteve na Câmara de João Monlevade nesta quarta-feira (26) para manifestar apoio à secretária de Educação, Alda Fernandes. Os educadores levaram cartazes com projetos e ações desenvolvidos pela pasta durante a atual gestão.

A manifestação ocorreu uma semana após a Câmara aprovar, por 14 votos a 1, uma moção de repúdio contra a secretária. A única vereadora contrária foi Maria do Sagrado (PT), líder do governo e ex-secretária de Educação.

A polêmica começou após Alda encaminhar ofício à Câmara determinando que fiscalizações de vereadores em escolas e demais unidades municipais de ensino deveriam ter autorização da Mesa Diretora do Legislativo. A medida foi interpretada por parte dos parlamentares como tentativa de limitar a prerrogativa de fiscalização.

Nesta semana, Maria voltou a defender a secretária e leu uma carta assinada por educadores da rede. O documento sustenta que as visitas dos vereadores devem seguir critérios formais e critica fiscalizações consideradas de caráter midiático. Segundo os profissionais, algumas ações teriam como objetivo “expor e constranger alunos e profissionais em redes sociais”.

Reações no plenário

A manifestação provocou novas críticas. Belmar Diniz (PT) afirmou que não pretende “defender o indefensável” e classificou como “ridículo” burocratizar a atuação dos vereadores.

Sinval Dias (PL) criticou a presença dos servidores na Câmara e defendeu que eles deveriam estar nas escolas. Já Revetrie Teixeira (MDB) citou problemas encontrados durante fiscalizações que ele realizou. Segundo ele, foram identificadas merendas vencidas em sete das oito escolas visitadas. O vereador também ironizou a participação dos educadores na manifestação.

O presidente da Câmara, Fernando Linhares (Podemos), atribuiu parte do desgaste à falta de articulação entre Executivo e Legislativo. Para ele, é necessário que a Prefeitura tenha um interlocutor mais presente na Câmara para evitar que conflitos se agravem. Linhares afirmou ainda que, em uma eventual queda de braço, “quem vai perder é a Prefeitura”.

Marquinho Dornelas (Republicanos) também apontou desarticulação do governo e disse que tenta, há duas semanas, sem sucesso, agendar uma conversa com o prefeito Laércio Ribeiro (PT). Para ele, a falta de retorno demonstra “omissão” do Executivo.