A Câmara Municipal de João Monlevade rejeitou, na tarde desta quarta-feira (26), o Projeto de Resolução nº 551/2026, que pretendia antecipar de dezembro para 1º de outubro a eleição da próxima Mesa Diretora. A proposta recebeu nove votos favoráveis e cinco contrários e ficou a apenas um voto do quórum necessário para aprovação.
O projeto exigia o apoio de dois terços dos vereadores, ou seja, 10 votos. Com a rejeição, a eleição permanece prevista para a primeira quinzena de dezembro, conforme estabelece atualmente o Regimento Interno.
A proposta foi apresentada por nove vereadores que apoiam a candidatura de Marquinho Dornelas (Republicanos) à presidência da Casa. O grupo defendia que a antecipação permitiria à chapa vencedora iniciar mais cedo a transição e organizar a estrutura administrativa do Legislativo para o próximo ano.
Os nove parlamentares que assinaram e votaram a favor foram Dornelas, Alysson Enfermeiro, Carlinhos Bicalho, Leles Pontes, Dr. Sidney Bernabé, Sinval da Luzitana, Thiago Titó, Vanderlei Miranda e Zuza do Socorro.
Votaram contra Fernando Linhares, Revetrie Teixeira, Belmar Diniz, Bruno Cabeção e Maria do Sagrado. O vereador Sassá Misericórdia (Cidadania) esteve ausente. Entre os argumentos apresentados pelos contrários estavam o longo período entre a eleição e a posse e a proximidade com o calendário eleitoral.
Troca de farpas
Além da derrota do projeto, o confronto entre Fernando Linhares, atual presidente da Câmara, e Marquinho Dornelas, que articula sua candidatura à sucessão, esquentou o clima da reunião. Linhares elogiou a iniciativa de Dornelas, mas afirmou que não seria o momento adequado para antecipar a votação, principalmente em razão do período eleitoral. Também criticou articulações antecipadas em torno da futura Mesa e afirmou que já havia discussões sobre cargos dentro da Câmara.
O atual presidente que disse ter sido “reeleito por mérito exclusivamente próprio” ainda lembrou que já venceu Dornelas em uma disputa anterior pela presidência, por apenas um voto. Ao falar sobre sua preferência para a próxima eleição, citou outros vereadores que poderiam receber seu apoio.
Dornelas rebateu em tom mais duro. Defendeu a renovação no comando da Casa e afirmou que algumas pessoas têm dificuldade em deixar posições de poder. “Roem e não querem largar o osso”. Dirigindo-se a Linhares, usou a expressão “abstinência do poder” para se referir ao que classificou como uma reação precoce diante da futura saída da presidência.
A fala provocou resposta imediata. Linhares, que é policial civil há mais de 20 anos, afirmou não ter entendido a referência. “Graças a Deus, eu, com 43 anos de idade, não tenho vício nenhum.” E alfinetou o colega dizendo que não é candidato a presidência, portanto, “não vai vencê-lo mais uma vez”. Fernando ainda disse que buscar a harmonia na Câmara é uma coisa que não existe.


