A Associação dos Trabalhadores de Limpeza e Materiais Recicláveis de João Monlevade (Atlimarjom) vai paralisar temporariamente o recolhimento de materiais recicláveis no município a partir de 1º de setembro. A previsão é que o serviço seja retomado em janeiro de 2027, após um período de quatro meses destinado à reorganização da associação e ao processamento do grande volume de materiais acumulados em sua sede.
A tesoureira da Atlimarjom, Valdete Roza, esteve no gabinete do prefeito Dr. Laércio Ribeiro (PT), na última quarta-feira (26), para comunicar a situação e explicar os motivos que levaram à decisão. Segundo ela, o galpão da associação está com grande quantidade de recicláveis aguardando separação, ocupando todo o espaço interno e também áreas externas.
“Todo o material que está se acumulando dentro do galpão, até o teto, e até mesmo do lado de fora do local, foi recolhido desde janeiro deste ano. A coleta seletiva é um sucesso em João Monlevade. A população aderiu e está fazendo seu papel. Porém, está faltando mão de obra para a separação dos materiais”, explicou Valdete.
Todo o material reciclável recolhido pela Atlimarjom é encaminhado à sede da associação, onde passa pela triagem, separação, prensagem e preparação para comercialização. Atualmente, porém, apenas 25 pessoas trabalham nessa etapa, número insuficiente diante do volume recebido.
“Precisamos de pelo menos mais dez pessoas nessa função para continuarmos prestando o serviço. A Atlimarjom precisa se reestruturar, se organizar. Sem mão de obra, temos que parar”, afirmou a tesoureira.
Durante os quatro meses de paralisação do recolhimento, a prioridade será separar e dar destinação ao estoque existente, liberando espaço no galpão para que a coleta possa ser retomada em janeiro. De acordo com Valdete, os associados que atualmente atuam como coletores e motoristas poderão, caso tenham interesse, ser realocados temporariamente para a separação dos materiais.
Acúmulo também dificulta comercialização
Com 25 anos de funcionamento, a Atlimarjom é referência no trabalho com materiais recicláveis em João Monlevade e na região. A falta de mão de obra, no entanto, já tem reflexos em toda a operação.
Valdete explicou que a associação enfrenta dificuldades até mesmo para despachar o material que já foi separado, prensado e embalado. Com o galpão tomado pelos recicláveis ainda aguardando triagem, há pouco espaço disponível para o manejo e a movimentação dos fardos prontos para comercialização.
Em condições normais, a Atlimarjom comercializava cerca de 18 toneladas de recicláveis por mês, volume equivalente a aproximadamente quatro cargas de caminhão. No último mês, porém, apenas uma carga foi comercializada. Segundo a tesoureira, a redução é consequência direta da falta de trabalhadores para a separação e da dificuldade de movimentação dos materiais dentro da sede.
Atlimarjom precisa de mão de obra
Para conseguir retomar e manter regularmente o serviço de coleta seletiva, a associação busca pessoas interessadas em atuar na separação dos materiais.
O trabalho tem jornada de oito horas diárias, de segunda a sexta-feira, com pagamento equivalente a um salário mínimo. A Atlimarjom oferece ainda vale-transporte, café da manhã, almoço e lanche da tarde. O trabalhador passa a integrar a associação como associado, não havendo vínculo pelo regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
“Precisamos de pessoas dispostas, que queiram trabalhar e sejam compromissadas. Queremos dar continuidade ao trabalho e continuar cuidando do meio ambiente”, reforçou Valdete.
População deve continuar separando os recicláveis
Mesmo com a suspensão temporária do recolhimento, a Atlimarjom faz um apelo para que os moradores não abandonem o hábito da separação dos resíduos recicláveis.
A orientação é que as pessoas que tenham condições de armazenar temporariamente os recicláveis em casa façam a higienização dos materiais antes de guardá-los. Caixas de leite, embalagens, recipientes, vidros e outros materiais devem ser lavados e mantidos secos, evitando mau cheiro e a atração de insetos.
“Pedimos à população que não pare de separar o lixo e não perca esse hábito. Quem tiver onde armazenar o material para aguardar o retorno dos nossos serviços, nós e o meio ambiente agradecemos muito”, concluiu Valdete.
A previsão da Atlimarjom é que, após a reorganização da sede, redução do estoque acumulado e reestruturação da equipe, o recolhimento de recicláveis seja retomado em janeiro de 2027.
O prefeito Dr. Laércio destacou a importância do trabalho da associação. “A Atlimarjom realiza há 25 anos um trabalho muito importante para João Monlevade, tanto do ponto de vista ambiental quanto social. O próprio volume de material recolhido mostra que a população compreendeu a importância da coleta seletiva e aderiu a essa prática. Neste momento, a associação enfrenta uma dificuldade operacional e precisa desse período para se reorganizar. Recebemos a Valdete, ouvimos atentamente a situação apresentada e reconhecemos a importância de buscarmos caminhos que contribuam para o fortalecimento desse trabalho. Também reforçamos o pedido para que a população continue separando os recicláveis e, sempre que possível, armazenando-os de maneira adequada até a retomada da coleta. Preservar o meio ambiente é uma responsabilidade compartilhada, e queremos que esse serviço tão importante possa retornar fortalecido”, afirmou o prefeito.


