A mobilidade urbana voltou a estar no centro dos debates entre os vereadores de João Monlevade. Nessa quarta-feira (19), os parlamentares apontaram e criticaram o contínuo defeito do semáforo da avenida Wilson Alvarenga, na esquina com a rua Duque de Caxias, em frente ao Centro Educacional de João Monlevade. Há algumas semanas, o sinal está em flash, com a luz amarela piscando continuamente, sem funcionar de fato.
O presidente do Legislativo, Fernando Linhares (Podemos), lamentou a condução do problema: “É com muita tristeza que a gente enxerga hoje que as questões de trânsito no município não estão sendo pautadas como prioridade. Eu não vou discutir mais, porque ali o Settran tem que contratar uma empresa. Na verdade, o Settran precisa fazer um contrato de manutenção contínua para 12 meses, para que quando acontecer qualquer problema no semáforo, essa empresa já esteja com contrato vigente e possa fazer as manutenções periódicas”.
O vice-presidente da Casa, Sassá Misericórdia (Cidadania), apontou os transtornos provocados pela ausência do sinal. “O pessoal tem reclamado, todo mundo reclamando. Há 20 dias esse semáforo parado lá. O pessoal ali do São João, lá de cima do Vale do Sol, todo mundo reclamando por causa daquele lá acontecimento lá”.
Leles Pontes também descreveu o problema. “Na hora que você chega lá embaixo, perto do Comercial, o trânsito fica agarrado, começa a agarrar desde o antigo cinema ali. Como o trânsito está aberto ali perto do Centro Educacional, os carros descem todos rápido, aí chegam lá embaixo, não dão preferência para quem está fazendo o retorno, ali perto da Acimon”.
Vanderlei Miranda (Podemos) usou uma analogia para explicar que a conservação do semáforo precisa ser feita pela empresa que o instalou: “Você leva seu carro da Toyota para dar revisão na Fiat, ou vice-versa? Não tem jeito. Então, quem pode dar manutenção naquele semáforo é a própria empresa que presta o serviço. Só que o Settran tem encontrado dificuldade de fazer contrato com essa empresa”.
Alysson Barcelos (Avante) relatou o resultado de uma conversa com o diretor do Serviço de Trânsito e Transportes, José Jayme de Figueiredo Franco: “Ele falou que o semáforo é de última geração. Então, o semáforo é ótimo, mas não tem manutenção preventiva”.
Carlinhos Bicalho (PP) sugeriu uma intervenção de emergência: “Tem que fazer uma contratação emergencial, fazer um processo rápido de consertar […] Não podemos deixar que aconteça um acidente, não podemos deixar que aconteça um atropelamento”.
Ônibus
Os vereadores também relataram as dificuldades para atravessar a BR-381 em função das obras de requalificação no trecho urbano da rodovia em João Monlevade. Revetrie Teixeira (MDB) considerou que as intervenções não podem servir como desculpa para explicar a má qualidade do serviço: “Não dá mais para sofrer. Falar de fechamento de BR, atraso, isso está ficando velho, porque não é de hoje que a população reclama de superlotação nos ônibus, não é de hoje que reclama sobre atrasos, não é de hoje que deixam de atender a Serra do Egito, não é de hoje que não atendem o Jacuí, não é de hoje que não atendem a parte alta do Cruzeiro Celeste. A cidade cresceu e o transporte público encolheu”.
Uma posição semelhante foi adotada por Zuza Veloso (Avante), que considerou que as intervenções não são causa exclusiva dos transtornos, e exigiu providências: “Domingo não tinha obra, não tinha trânsito. Aí o pessoal [da Serra] do Egito ficou plantado lá. Eu quero ver se se a Enscon foi penalizada. […] Hoje eu recebi vídeo, o pessoal não conseguia entrar dentro do ônibus. Isso não é trânsito, isso é superlotação!”.
Vanderlei Miranda pediu ação da Prefeitura de João Monlevade para minimizar os impactos: “Vai melhorar no futuro? Vai! Mas os transtornos estão sendo grandes demais, está afetando muito a população e a Prefeitura tinha que conversar com a Nova 381 para tentar dar uma melhorada ou fazer a obra mais rápido”.
Marquinho Dornelas (Republicanos) pediu sensatez na organização dos trabalhos, de forma a minimizar os impactos na cidade: “É necessário que essa paralisação ocorra pelo menos a um certo tipo de distância. […] É muito importante que essa paralisação não seja no local da travessia, porque aí paralisa tudo, travou tudo. Então eu quero pedir essa sensibilidade. A gente pode marcar uma reunião junto ao Settran e à Nova 381, convocarmos ele aqui, mas de maneira prática”. Ao falar sobre o Setor de Trânsito e Transportes, Dornelas considerou o órgão “sucateado”.
Bruno Cabeção (Avante) também relatou transtornos: “Nós temos que nos policiar e pedir ao setor de trânsito da cidade que monitore aquela situação, porque era já estava chegando numa situação de estar insuportável. […] Com as mexidas que eles fizeram lá, o negócio ficou intransitável. Palavras de uma cidadã. Nós estamos chegando no trânsito da Índia”.
O vereador Alysson Barcelos (Avante) considerou que o problema do transporte coletivo piorou depois das mudanças de horário de trabalho na ArcelorMittal, e cobrou isonomia na distribuição das viagens: “Mas não é possível priorizar profissionais de uma empresa e não priorizar outros profissionais de outras empresas. O transporte é coletivo, então tem que chegar num denominador comum, para que consiga atender da melhor forma possível todos os usuários, não privilegiando uns e deixando outros de lado”.
Barcelos também cobrou uma comunicação mais eficiente dos incidentes que possam afetar o transporte coletivo: “O aplicativo ficou fora do ar dois dias. Dois dias ficou fora do ar o aplicativo. Por quê? Porque eles estavam tentando fazer ajustes, mas a população não sabia que estavam tentando fazer ajuste. Então, é comunicar de forma clara, de forma imediata. Aconteceu, comunica”.
Audiência
A Câmara Municipal aprovou o pedido de Revetrie para a realização de uma audiência pública para discutir o transporte coletivo no município. O encontro, aberto a toda a comunidade, acontecerá no dia 3 de setembro, quinta-feira, às 18h30, na sede do Legislativo.
Belmar Diniz (PT) cobrou atuação do Conselho Municipal de Transportes (CMT) para reduzir os problemas, e citou um exemplo: “Eu tive uma demanda com a linha 31, Mirantes dos Cristais. Uma moradora de lá, estudante da Vila Tanque, reclamando que os ônibus estavam chegando muito tarde, e não estava fazendo a rotatória próximo ao Mirante dos Cristais. Entrei em contato com o setor. O Settran identificou o problema e se comprometeu a resolver o problema. Esse problema foi resolvido, mas está tendo muito problema, muita reclamação”.
Tarifa e semáforo
Sinval Dias (PL) questionou por que a tarifa do transporte coletivo não é reajustada há anos: “Eu gostaria de saber da administração do Settran e dos Serviços Urbanos: que milagre que estão fazendo que até hoje não teve aumento, porque antes tinha 30 centavos de aumento, tinha 20 centavos, 10 centavos, 5 centavos?”.
A líder do governo no Legislativo, Maria do Sagrado (PT), respondeu aos questionamentos de Sinval: “Na verdade, não é que a passagem não aumenta. O que deveria aumentar para os trabalhadores, para a população monlevadense, é coberto pela Prefeitura Municipal através de subsídio”, explicou. Sobre os reparos no semáforo da avenida Wilson Alvarenga, ela esclareceu que “as tratativas estão sendo feitas com empresa especializada para sanar essa questão”.


