A Secretaria Municipal de Educação (SME) de João Monlevade reuniu nesta terça-feira (7) representantes das unidades escolares da rede municipal de ensino para o início das atividades do Grupo de Trabalho (GT) voltado às Relações Étnico-Raciais. A iniciativa segue as diretrizes da Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (PNEERQ).

O encontro reuniu os coordenadores gerais do grupo: Ricardo Alisson, coordenador pedagógico da Escola Municipal Promorar; Gláucio Santos, coordenador pedagógico do Cemei Padre Henriques; Cinara Magalhães, coordenadora dos Anos Finais da SME; Mariana Jesus, professora do Cemei Casulo; Alda Fernandes, secretária de Educação; e Nair de Cássia, assessora da secretária.

Grupo foi criado em 2023

Segundo Ricardo Alisson, o GT foi criado originalmente em 2023 pela SME e tem contribuído para a consolidação de uma educação antirracista na rede municipal de ensino. “O GT, com foco na formação continuada, tem buscado contribuir para a superação das desigualdades de aprendizagem entre os estudantes negros (pretos e pardos) e brancos. Percebo que o grupo, junto aos profissionais das escolas, está construindo novos cenários educativos em que a diversidade étnico-racial dos estudantes seja respeitada, legitimada, valorizada e potencializada, a fim de promover o sucesso escolar dos estudantes, independentemente do seu pertencimento étnico-racial”, afirmou o coordenador.

Gláucio Santos destacou que a educação étnico-racial funciona como um convite para que os educadores reflitam sobre como a equidade é trabalhada no ambiente escolar. Segundo ele, o novo formato do GT propõe uma construção conjunta entre a Secretaria e os profissionais que atuam diretamente nas escolas. “Essa educação antirracista é pensar na emancipação de todos os sujeitos que estão dentro da escola. É uma proposição que vai para além de apresentar livros, passar filmes ou usar podcasts, envolve repensar a didática, o conteúdo e acolher o estudante diretamente no seu processo de aprendizagem”, disse o coordenador.

Suporte institucional às escolas

A coordenadora Cinara Magalhães detalhou as ações de suporte que a SME oferecerá às unidades escolares ao longo do processo. “A Secretaria de Educação acompanhará e apoiará os profissionais das unidades escolares por meio de um processo contínuo de formação, monitoramento e assessoramento pedagógico. Além disso, disponibilizará referenciais teóricos, materiais de apoio e orientações de acordo com o PNEERQ, assegurando que seus princípios sejam incorporados ao currículo e ao cotidiano escolar”, afirmou.

Diagnóstico e trabalho em grupo

Durante o encontro, os participantes analisaram marcos legais e documentos orientadores que fundamentam a Educação para as Relações Étnico-Raciais. Um dos pontos centrais da formação foi a avaliação de indicadores externos e dados do município de João Monlevade, envolvendo desigualdades em áreas como saúde, assistência social e educação. Essa análise teve como objetivo mapear desafios e potencialidades locais para subsidiar futuras ações pedagógicas.

A programação incluiu ainda atividades de ampliação de repertório cultural e dinâmicas práticas. Organizados em duplas e grupos, os educadores compartilharam experiências e projetos já desenvolvidos em suas escolas, o que resultou na proposição de novas estratégias para o cotidiano escolar.

A SME afirma que a iniciativa busca reforçar o papel da escola como espaço de acolhimento, proteção e fortalecimento da autoestima e do senso de pertencimento de crianças e adolescentes, e destaca a promoção da equidade racial como princípio orientador para os profissionais da educação, com o objetivo de assegurar o direito à aprendizagem e à permanência de todos os estudantes.