João Monlevade nasceu de grandes sonhos, de gestos ousados e de uma visão extraordinária de futuro. Isso a história comprova. Mas por que essa cidade ainda se deixa aprisionar, tantas vezes, por discussões pequenas, disputas menores e um permanente exercício de desconfiança e incredulidade de seu potencial?

Talvez a resposta esteja justamente em algo que esquecemos de vez em quando: a nossa identidade e valorização de quem somos. João Monlevade surgiu no mapa a partir da ousadia de Jean Antoine Félix Dissandes de Monlevade, que trouxe para estas montanhas não apenas seus conhecimentos técnicos, mas uma visão iluminista baseada no progresso, na ciência e na capacidade humana de transformar a realidade.

Quando chegou ao Médio Piracicaba, encontrou matas, caminhos difíceis e uma economia rudimentar. Onde muitos enxergavam isolamento, ele viu oportunidade nas montanhas de minério e nos rios do entorno. Do nada, praticamente arrancou do chão uma das mais importantes fábricas de ferro do Brasil no século XIX. Décadas depois, Louis Ensch repetiria o gesto. Ergueu uma usina entre um barranco e o rio Piracicaba e, ao redor dela, edificou uma cidade moderna, dinâmica e cheia de perspectivas.

Essa é a origem de João Monlevade que não pode ser esquecida. A história dessa cidade foi construída pela coragem de acreditar. Por isso, incomoda ver tanto desperdício de energia com disputas estéreis e críticas que não apontam soluções. Muitas vezes, parece que nos acostumamos a procurar primeiro os motivos para não crer que um futuro melhor é possível.

Surge um investimento, aparece a dúvida. Surge um projeto, surgem os profetas do fracasso. Como se parte da cidade insistisse em olhar para o futuro pelo retrovisor. Mas os fatos, hoje, mostram outra realidade. Grandes grupos econômicos do país continuam escolhendo Monlevade para investir.

Um shopping center com investimentos próximos de R$100 milhões está a caminho. Novas galerias comerciais ganham forma no bairro Alvorada. O setor de serviços se fortalece e, ao mesmo tempo, empreendedores locais continuam ampliando negócios, gerando empregos e apostando no potencial da cidade. Esses empresários já atravessaram crises, resistiram às dificuldades e continuam acreditando em Monlevade há décadas. Sem dúvida, são herdeiros do mesmo espírito pioneiro que ajudou a construir a cidade.

Além disso, João Monlevade consolidou-se como referência regional. A atuação da Amepi, os projetos do Consmepi e as oportunidades abertas pela modernização da BR-381 reforçam a posição estratégica do município no Médio Piracicaba. Isso não significa ignorar problemas, é claro. Até por que, uma cidade madura precisa debater, fiscalizar e cobrar resultados. O que precisa ficar para trás é o pessimismo como método.

Por isso, precisamos reaprender a vibrar positivamente por João Monlevade, tanto na política quanto no empreendedorismo. Reconhecer acertos, valorizar quem investe e compreender que o desenvolvimento também depende de confiança.

Fernando Pessoa escreveu que, “para ser grande, é preciso ser inteiro”. Talvez seja exatamente disso que Monlevade precise. Ser inteira em sua vocação empreendedora, em sua capacidade de sonhar e em sua confiança no futuro.

As cidades não crescem apenas com concreto e aço. Mas sobretudo quando se acredita nelas, com visão de futuro e coragem. E talvez o maior desafio de João Monlevade seja voltar a acreditar em si mesma.

Afinal, quem nasceu do sonho de um francês que fez surgir uma fábrica no meio da mata e de um engenheiro luxemburguês, que ergueu a maior usina integrada da América Latina num barranco, não pode permitir que a dúvida seja maior que a própria história. Viva Monlevade. Monlevade vive!