A Prefeitura de João Monlevade arrecadou menos do que o previsto nos quatro primeiros meses de 2026. Os dados foram apresentados durante a prestação de contas da administração municipal realizada na última semana e apontam uma frustração de receita superior a R$11,3 milhões em relação às projeções elaboradas para o período. A prestação de contas é realizada periodicamente em cumprimento à Lei de Responsabilidade Fiscal e tem como objetivo garantir transparência à gestão dos recursos públicos municipais.
Conforme apresentado aos vereadores na Câmara Municipal, o principal impacto ocorreu nas transferências constitucionais e nos repasses estaduais e federais, especialmente no Fundo de Participação dos Municípios (FPM), no Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e na arrecadação do Imposto Sobre Serviços (ISS), uma das principais fontes de receita própria do município.
De acordo com o relatório divulgado, o município previa receber R$34,2 milhões de FPM entre janeiro e abril, mas arrecadou R$31,3 milhões, uma diferença de aproximadamente R$2,9 milhões. No caso do ICMS, a previsão era de R$32,9 milhões, enquanto a arrecadação efetiva ficou em R$26,1 milhões, representando uma queda de cerca de R$6,8 milhões.
Outro indicador que ficou abaixo da expectativa foi o IPVA. A previsão era de R$23 milhões, mas o município recebeu R$21,3 milhões, diferença próxima de R$1,6 milhão.
O Fundeb também apresentou resultado inferior ao esperado, com arrecadação de R$20,1 milhões frente a uma previsão de R$24,1 milhões. Somadas, as principais frustrações de receita alcançam R$11,3 milhões, valor destacado durante a apresentação das contas públicas.
Conforme apresentado, esse déficit de arrecadação ocasionou uma perda significativa, ficando abaixo do esperado em João Monlevade.
A previsão para o primeiro quadrimestre era de R$137,8 milhões, mas o município recebeu R$123,2 milhões, reflexo da desaceleração observada em importantes fontes de receita vinculadas à atividade econômica nacional e estadual.
“Saúde financeira está em dia”, afirma Fabrício Lopes
Apesar do cenário, a administração municipal garante que a situação financeira da cidade permanece sob controle, mas com atenção redobrada. Segundo o secretário municipal de Planejamento, Fabrício Lopes, a redução das receitas já era acompanhada pela equipe econômica da prefeitura e não compromete momentaneamente a saúde fiscal do município. “Embora a arrecadação tenha ficado abaixo das estimativas previstas para 2026, João Monlevade mantém uma situação financeira organizada, com equilíbrio das contas e capacidade de honrar seus compromissos com fornecedores e prestadores de serviços. Inclusive, já pagamos metade do 13º para os servidores. Importante destacar que, em relação ao mesmo período de 2025, a arrecadação acumulada cresceu 10,33%. Ressalto que continuamos monitorando os indicadores econômicos e ajustando o planejamento para garantir a continuidade dos investimentos e dos serviços públicos em Monlevade”, destacou.
Expectativas
O relatório mostra ainda que algumas receitas superaram as expectativas, contribuindo para amenizar parte das perdas. Entre elas estão as receitas patrimoniais, que arrecadaram R$4,5 milhões frente a uma previsão de R$3,3 milhões, além da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM), que registrou arrecadação de R$1,26 milhão, mais que o dobro dos R$545 mil previstos. Porém, conforme Fabrício Lopes, essa ainda não é a realidade, já que o município ainda não conta com exploração mineral efetiva e que a cidade deve faturar muito mais nos próximos anos.
