A tradicional fabricante de brinquedos Estrela entrou com pedido de recuperação judicial nesta quarta-feira, 20 de maio de 2026, em meio a dificuldades financeiras acumuladas nos últimos anos. O processo foi protocolado na Comarca de Três Pontas (MG) e envolve outras empresas do grupo econômico.
Fundada em 1937 e dona de marcas icônicas como Banco Imobiliário, Susi e Genius, a companhia recorreu ao instrumento legal com o objetivo de reorganizar suas dívidas e preservar suas atividades operacionais.
Motivos da crise
Segundo comunicado oficial da empresa ao mercado, a decisão foi motivada principalmente pela necessidade de reestruturação do passivo financeiro. Entre os fatores apontados, destacam-se o aumento do custo de capital, a restrição de crédito e os impactos acumulados sobre a estrutura financeira do grupo.
Além disso, a Estrela mencionou mudanças no comportamento do consumidor, especialmente o avanço das alternativas digitais de entretenimento, que passaram a competir diretamente com o mercado tradicional de brinquedos.
Especialistas também apontam o cenário macroeconômico como elemento de pressão, com juros elevados e maior dificuldade de financiamento, o que afetou diversas empresas brasileiras em diferentes setores.
Funcionamento durante a recuperação
Apesar do pedido de recuperação judicial, a Estrela informou que manterá suas atividades industriais, comerciais e administrativas normalmente durante o processo. A atual gestão continuará à frente da companhia enquanto é elaborado o plano de reestruturação.
O plano de recuperação judicial ainda será apresentado e deverá ser aprovado pelos credores em assembleia. Esse documento definirá as condições para o pagamento das dívidas e a reorganização financeira da empresa.
Segundo a companhia, o objetivo da medida é superar a crise econômico-financeira, garantir a continuidade das operações e preservar empregos, além de manter o relacionamento com fornecedores e parceiros.
Histórico recente e desafios
Nos últimos anos, a Estrela enfrentou uma série de desafios financeiros e estruturais. Em 2025, a empresa renegociou cerca de R$ 747 milhões em dívidas tributárias com a União, reduzidas para cerca de R$ 72 milhões após acordo.
Apesar da renegociação, a medida não foi suficiente para equilibrar todos os passivos da companhia, o que contribuiu para o pedido de recuperação judicial.
Além das questões financeiras, a empresa também enfrentou disputas judiciais e dificuldades operacionais, como problemas de produção em períodos de alta demanda, que impactaram seus resultados recentes.
Contexto e perspectivas
A recuperação judicial é um mecanismo previsto na legislação brasileira que permite às empresas renegociar suas dívidas com credores enquanto continuam operando.
No caso da Estrela, o processo marca uma nova tentativa de reorganização financeira em sua longa trajetória. A empresa já passou por outros episódios de crise e reestruturação ao longo de sua história, o que demonstra a complexidade de se manter competitiva em um setor cada vez mais impactado pela transformação digital.
O desfecho do processo dependerá da aprovação do plano de recuperação e da capacidade da empresa de se adaptar às mudanças do mercado. Enquanto isso, a Estrela segue operando e buscando reequilibrar sua posição financeira para garantir sua continuidade no setor de brinquedos.
