O novo regime de turno fixo na unidade da ArcelorMittal em João Monlevade entrou em vigor na última terça-feira (10) e continua gerando forte repercussão entre os trabalhadores. A mudança substituiu o sistema de revezamento após o término do acordo anterior de jornada, encerrado no fim de fevereiro sem consenso entre empresa e empregados.

De acordo com informações divulgadas anteriormente pela própria empresa, a alteração pode provocar redução de até 34% na remuneração de parte dos trabalhadores, dependendo do turno fixo e do salário-base. No turno das 7h às 15h, considerado o de maior impacto, as perdas podem ultrapassar R$1,7 mil para empregados com salários próximos de R$5 mil. Já no turno das 15h às 23h, a redução pode chegar a cerca de 27%. No período noturno, das 23h às 7h, a empresa aponta que pode haver pequeno aumento devido aos adicionais noturnos.

Entre os benefícios que deixaram de existir com o fim do acordo de turno estão o adicional de 9,5% sobre o salário, a vantagem pessoal de 11,7% concedida a parte dos empregados e a folga de sete dias prevista no acordo anterior, além de regras específicas relacionadas a convocações administrativas e treinamentos.

Reunião com trabalhadores

Desde a implantação do novo regime, a direção da empresa iniciou conversas diretas com os trabalhadores para tratar da jornada de trabalho. O diretor-geral da unidade, Fabiano Cristelli, e o gerente de Pessoas e Comunicação, Vander Neves, estão realizando encontros com as turmas de turno na Sala de Treinamentos da Portaria Central. As reuniões estão sendo realizadas ao longo desta semana com as diferentes equipes.

Enquanto isso, o Sindmon-Metal afirma que segue mobilizado e em diálogo constante com os trabalhadores, muitos deles indignados com os impactos da mudança da jornada. Segundo a entidade, representantes sindicais estão conversando com os empregados para acompanhar a situação e discutir possíveis encaminhamentos. A entidade afirma que está aberta à negociação e conversa com a ArcelorMittal.

O impasse sobre a jornada começou após assembleia realizada em janeiro, quando trabalhadores rejeitaram a renovação do modelo de turno vigente até então e aprovaram a proposta de escala 12x4x4 (12 horas de trabalho por quatro dias seguidos de quatro dias de folga). A alternativa, no entanto, foi descartada pela empresa, que defendeu a renovação da tabela então em vigência. Sem acordo até o prazo final de 28 de fevereiro, a ArcelorMittal anunciou a adoção do turno fixo conforme a legislação.