A sessão ordinária da Câmara Municipal de João Monlevade, realizada na quarta-feira (11), foi marcada por momentos de debate entre o vereador Sinval Dias (PL) e o presidente da Casa, Fernando Linhares (Podemos). Durante uma das discussões, o presidente decidiu suspender a reunião por cinco minutos para “acalmar os ânimos”.
O primeiro debate ocorreu durante a votação de um projeto de autoria do vereador Carlinhos Bicalho (PP), que institui o Dia do Motorista no calendário oficial de eventos de João Monlevade. Sinval apontou para o que seria uma “indústria de multas” de trânsito em João Monlevade e de um “incentivo” às autuações pela Prefeitura, argumentando que a arrecadação com as multas no terceiro quadrimestre de 2025 superou a previsão do Executivo.
O vereador mencionou que parte das autuações estaria relacionada ao uso de telefone celular ao volante e defendeu que o Serviço de Trânsito e Transportes (Settran) também desenvolva ações educativas e de orientação aos motoristas. Ele lembrou ainda que, quando ocupou o cargo de secretário de Serviços Urbanos, adquiriu apitos para agentes de trânsito com o objetivo de alertar motoristas sobre irregularidades.
Em resposta, Fernando Linhares afirmou que defende a aplicação da legislação de trânsito e destacou que as opiniões apresentadas por Sinval representavam uma posição individual do parlamentar e não do Legislativo. Sinval afirmou que sua fala não tinha como objetivo incentivar infrações, mas defender ações educativas no trânsito.
Durante o debate, outros vereadores também se manifestaram. O vereador Sidney Bernabé (PL) afirmou que infrações de trânsito devem ser tratadas conforme prevê a legislação. Já o vereador Zuza Veloso (Avante) questionou como a administração municipal estabelece previsões de arrecadação com multas de trânsito.
Outro momento de discussão ocorreu durante a análise de um projeto de lei apresentado pela Mesa Diretora que trata da possibilidade de cessão de servidores do Legislativo a outros poderes ou órgãos públicos. Durante a tramitação, Sinval Dias e Carlinhos Bicalho apresentaram uma emenda ao texto.
A proposta recebeu parecer contrário da Comissão de Administração Pública e foi considerada inconstitucional pela Comissão de Legislação e Justiça. Durante o debate, Bicalho informou que concordava com a retirada da emenda. Ao tratar do tema, Sinval quis usar parte do tempo regimental para se manifestar, sendo interrompido pelo presidente da sessão, alegando que não era momento para aquela justificativa.
Após a troca de argumentos entre os parlamentares, Fernando Linhares decidiu suspender a sessão por cinco minutos. Quando os trabalhos foram retomados, a reunião prosseguiu normalmente e a emenda acabou sendo retirada de votação.

