O impacto do conflito internacional entre Estados Unidos, Israel e Iran já traz efeitos em todo o Brasil. Motoristas monlevadenses já enfrentam aumento no preço da gasolina, na manhã desta quarta-feira (11). O combustível, que até a semana passada era vendido em média a R$5,99, já é encontrado entre R$6,15 e R$6,39, podendo chegar a R$6,49 em alguns postos da cidade.

Um dos fatores que têm pressionado o mercado é a recente escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, no Oriente Médio. A intensificação da guerra elevou o preço internacional do petróleo para mais de US$ 100 por barril, o maior patamar em cerca de quatro anos.

A preocupação se concentra especialmente no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo. Qualquer restrição na passagem de navios na região pode afetar diretamente a oferta global de combustível.

Mesmo com a pressão externa, especialistas apontam que os combustíveis no Brasil ainda estão abaixo dos valores praticados no mercado internacional. Isso ocorre porque, desde 2023, a Petrobras abandonou a política de paridade de importação e passou a adotar um modelo que considera também custos internos e a realidade do mercado brasileiro, realizando ajustes de forma gradual.

Além do valor definido pelas refinarias, o preço final do combustível inclui impostos, mistura obrigatória de biocombustíveis, transporte, distribuição e margem de revenda, fatores que também influenciam o preço pago pelo consumidor.

Governo investiga

A alta acompanha um movimento observado em várias regiões do país e já chama a atenção das autoridades. Ontem (10), a Secretaria Nacional do Consumidor solicitou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica a abertura de investigação para apurar os recentes aumentos nos preços dos combustíveis, mesmo sem anúncio oficial de reajuste por parte da Petrobras, principal fornecedora de combustíveis no Brasil.

De acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, o preço médio da gasolina no país passou de R$6,28 para R$6,30 entre a última semana de fevereiro e o dia 7 de março. No mesmo período, o diesel subiu de R$ 6,03 para R$ 6,08.

O pedido de investigação ocorre após sindicatos do setor relatarem que distribuidoras já estariam repassando aumentos aos postos, mesmo sem mudança oficial na política de preços da Petrobras. Segundo a Senacon, o Cade deverá analisar se há indícios de práticas que possam prejudicar a concorrência, como possíveis combinações de preços ou condutas comerciais uniformes entre empresas do setor.

O Cade é o órgão federal responsável por fiscalizar a concorrência no mercado brasileiro. Caso identifique irregularidades, o conselho pode instaurar processos administrativos, aplicar multas e determinar medidas corretivas.