A Unidos do Viradouro protagonizou um desfile histórico na Marquês de Sapucaí e conquistou o título do Carnaval do Rio de Janeiro em 2026 com desempenho considerado impecável. A escola de Niteroi somou 270 pontos e garantiu o quarto campeonato de sua história, após as vitórias de 1997, 2020 e 2024.
O enredo neste ano foi uma grande homenagem a Mestre Ciça (Moacyr da Silva Pinto), um dos nomes mais respeitados do carnaval carioca. Logo na comissão de frente, a escola surpreendeu ao transformar um tripé em formato de apito, símbolo do comando da bateria, nos arcos da Praça da Apoteose, erguendo Ciça ao alto sob muitos aplausos.
O enredo percorreu a trajetória do homenageado desde 1971, quando iniciou no samba como passista da Unidos do São Carlos (que daria origem à Estácio de Sá), passando pelas escolas: União da Ilha do Governador, Acadêmicos do Grande Rio, Unidos da Tijuca e também a Viradouro. Ícones do carnaval, como o carnavalesco Paulo Barros, que fez história na escola e desfilou como destaque em um carro, a rainha de bateria, Juliana Paes, de volta ao posto após 18 anos, reforçaram a memória da escola de Niterói.
Catarse na Sapucaí
Um dos momentos mais impactantes do desfile da Viradouro veio após o primeiro recuo de bateria. Reeditando o desfile de 2007, a Viradouro colocou novamente seus ritmistas sobre uma alegoria, de forma ousada e inédita. A estrutura, montada sobre chassis de caminhão-cegonha e ônibus, alcançou 25 metros de comprimento e percorreu a avenida com a bateria tocando do alto até o fim do desfile.
Ao lado dos ritmistas estavam a rainha Juliana Paes que reassumiu o posto após 18 anos, o intérprete Wander Pires, integrantes da diretoria e o presidente de honra Marcelo Calil. O carro levou 301 ocupantes e foi ovacionado pelo público, que puxou o coro de “É campeã” antes mesmo da apuração.
Ciça fez questão de cumprir seu papel até o fim do desfile. Além do abre alas, ele retornou à bateria para regê-la, além de sair no último carro da escola, coroando uma apresentação carregada de emoção.
Apuração
A disputa foi equilibrada com escolas tradicionais como Beija-Flor de Nilópolis, Unidos de Vila Isabel, Acadêmicos do Salgueiro e Imperatriz Leopoldinense. Na apuração na tarde desta quarta-feira (18), a Viradouro manteve-se entre as líderes desde os primeiros quesitos e abriu vantagem decisiva em Harmonia, mantendo notas máximas.
Mesmo recebendo alguns 9,9 ao longo da leitura, que foram posteriormente descartados por serem as menores notas, a escola de Niterói confirmou a regularidade até o último quesito, samba-enredo, garantindo o campeonato. Conforme anunciado, na parte inferior da tabela, a Acadêmicos de Niterói, que veio da série Ouro, terminou na última colocação e foi rebaixada.
Um título para o samba
A conquista foi celebrada como um reconhecimento não apenas à escola, mas à própria cultura do samba. Aos 69 anos, Ciça prometeu cumprir uma promessa pessoal em caso de vitória: abandonar o cigarro. Se depender da emoção do desfile, ele não deve ter dificuldades. A Viradouro transformou a avenida em palco de catarse coletiva e escreveu mais um capítulo glorioso na história do carnaval carioca ao homenagear o “Mestre dos Mestres”.
