O governo de Laércio Ribeiro (PT) voltou a ser alvo de críticas de vereadores na reunião de quarta-feira (11) da Câmara Municipal de João Monlevade. Tal como na reunião da semana passada, a primeira do ano legislativo, as queixas, algumas muito incisivas, partiram tanto de parlamentares da oposição quanto da situação.
O presidente da Casa, Fernando Linhares (Podemos), classificou aquelas que considera as piores secretarias da administração municipal: Educação, Obras e a Fundação Casa de Cultura. Linhares argumentou que as três pastas são as que mais geram as reclamações ouvidas pelos legisladores: “Então, quer dizer que nós 15 vereadores estamos errados e os secretários estão certos? Tem alguma coisa errada […]. Agora, essas secretarias estão sendo debatidas corriqueiramente aqui na Casa, e o que a gente mais escuta são desculpas, são papo furado, o famoso lero-lero, porque não apresenta resultado. Se não apresentar resultado, vai continuar recebendo cobrança nesta Câmara Municipal”.
Ao comentar sobre a má conservação da pista da avenida Vereador João Braga, agravada pelo aumento no fluxo em decorrência do pedágio na BR-381, Fernando Linhares proferiu uma promessa intimidadora aos responsáveis pela manutenção viária: “Deus que livre e guarde e que não aconteça, mas se alguém for atropelado _ criança, idoso, mulher, homem, seja quem for _ que for atropelado no bairro Jacuí e falecer por omissão do governo, eu faço questão de participar da prisão, quero algemar para trás, jogar no c… de cachorro e sair pulando quebra-molas, da Delegacia até o presídio, para sentir a dor dessa família”, disparou Fernando que também é policial civil.
Feroz nas críticas às gestões petistas, Sinval Dias (PL) afirmou que “o governo está perdendo o rumo”. Zuza Veloso (Avante) foi duro ao advertir Laércio Ribeiro: “Tem homem que não teve um voto e está mandando na cidade. Eu falei com o prefeito ali, falei foi nome com ele. Ele só ficou vermelho e não tomou providência. O prefeito tem que tomar postura! Tem que respeitar esta Casa!”.
Rua Leonardo Diniz
Muito criticada pelos vereadores foi a situação da rua Leonardo Diniz Dias, importante via entre os bairros Cruzeiro Celeste e Petrópolis. Sassá Misericórdia (Cidadania) afirmou sentir vergonha de passar pelo trecho, porque os moradores o cobram por uma solução. “A Prefeitura não tem fiscalização. Por isso que acontecem as coisas que estão acontecendo. Nós estamos vendo acontecendo, nós pedimos, mas não tem fiscalização”, disse. Sinval Dias cobrou incisivamente a administração municipal por uma posição: “Se eles fizessem um serviço bem-feito, não precisaria ter voltado lá, não. A Prefeitura tem que fiscalizar quem que está fazendo o serviço”.
Belmar Diniz (PT) admitiu o incômodo com a situação, e relatou que ocorreram imprevistos na obra de retirada dos bloquetes e asfaltamento da via. Ele defendeu o secretário de Obras, o ex-vereador Gustavo Maciel, alvo de críticas de vários parlamentares: “Eu vi muito claramente no Gustavo a vontade de terminar aquilo ali”. O petista, filho do ex-prefeito que dá nome à via, ainda relatou que a intervenção é dificultada pela constante chuva que cai nessa época do ano sobre João Monlevade.
Vanderlei Miranda (Podemos) relatou que teve uma conversa com o secretário de Obras, que lhe explicou que as manilhas da rede de drenagem pluvial tinham diâmetro menor e foram danificadas pelas chuvas de 2 de dezembro. Segundo repassado por Miranda, seriam necessários sete dias de sol para preparar a base para a imposição do asfalto. Linhares cobrou a administração: “Quem fez o projeto básico estrutural da obra? Cadê o fiscal de contrato que estava lá e viu a obra sendo feita e não reparou? Isso aí não é possível”.
Ao A Notícia, a Prefeitura informou que a empresa foi notificada para terminar a obra e que os serviços serão finalizados no período de estiagem, pois não pode haver chuvas durante o reparo.
Pré-Carnaval
As queixas ao Monlé Folia, evento de pré-Carnaval organizado pela Prefeitura, também fizeram-se ouvir. Revetrie Teixeira (MDB) cobrou a Fundação Casa de Cultura pelo plano de trabalho da festa, e apontou como “indecentes” as músicas executadas no evento realizado no último domingo (8) na praça do Povo: “Aquilo foi uma tortura para as nossas crianças”, opinou. Vanderlei Miranda (Podemos) afirmou que essa festa não estava prevista em edital, ao contrário de eventos no entorno das igrejas Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, no bairro Loanda, e São José Operário, no bairro Centro Industrial.
Trânsito
Iza Cota, representante do Instituto Inovar, usou a Tribuna Popular do Legislativo para criticar o planejamento urbano de João Monlevade. Ela citou a reportagem que foi manchete do A Notícia a 16 de janeiro sobre o estacionamento de veículos pesados, e recordou as recentes mortes em acidentes automobilísticos na cidade.
Ela cobrou a estruturação do setor de trânsito e o cumprimento da legislação municipal: “O Código de Posturas, em seu em seus artigos 65 e 68, atribui ao órgão municipal de trânsito o dever de proibir a circulação de veículos que causam danos, e veda o estacionamento de veículos com peso superior a 5 toneladas ou comprimento superior a 6,5 metros”. Iza ainda defendeu que a ArcelorMittal possua um pátio logístico próprio para triagem, espera e estacionamento, de forma a aliviar as vias públicas.

