O trânsito no bairro Centro Industrial, em João Monlevade, voltou a ficar complicado na noite de domingo (23). Mais uma vez, uma carreta não conseguiu subir o morro da rua Beira-Rio e travou o fluxo de veículos, provocando um engarrafamento. A via é estreita, e permite a passagem de apenas um automóvel por vez.

O congestionamento atingiu todas as vias no entorno, como as ruas Siderúrgica, que dá acesso à avenida Getúlio Vargas; Tieté, que liga o bairro a Bela Vista de Minas; e a avenida Vereador João Braga, que conecta a região ao bairro Jacuí. Para refluir o acúmulo de carros parados, foi necessário abrir o fluxo na contramão da rua Siderúrgica, com os automóveis seguindo no sentido Vila Tanque.

Com o caminho dos automóveis travado, uma simples travessia do bairro Jacuí em direção à ArcelorMittal, que costuma não durar mais do que cinco minutos, levou quase meia hora. A carreta somente foi retirada da pista e seguiu viagem quando dois guinchos pesados conseguiram puxar o veículo pesado, que precisou ser colocado em funcionamento para conseguir sair.

Temor

O advogado Carlos Alberto dos Santos, mais conhecido como “Doquinha”, morador da rua, divulgou em seus perfis nas redes sociais um vídeo em que reclama da situação. Segundo ele, foi necessário retirar sua esposa e suas duas filhas pequenas de dentro da casa onde residem, pois havia o risco de a carreta descer desgovernadamente a ladeira e atingir a residência, que também abriga o seu escritório, e outras da vizinhança. Ele calculou que a carreta e a carga que ela transportava somavam cerca de 40 a 45 toneladas.

A casa do advogado já foi danificada em ocasiões anteriores, em 2019 e 2020, quando carretas não conseguiram subir o morro e voltaram de ré, sem controle, derrubando parte do muro. Na frente do imóvel, há barras de ferro chumbadas no asfalto para prevenir novas colisões. “Doquinha” conta o clima de aflição permanente em que vive. “Isso aí é de duas a três vezes por semana. É de madrugada. A gente não tem sossego. Eu acordo, vou à rua para ver, altas horas, vendo a situação da carreta. Outro dia foi um carro de passeio que bateu aqui nos trilhos. Nós não dormimos mais nas nossas camas. Dormimos no chão porque é o único local da casa que a carreta não pode vir e matar todo mundo. Dormimos na sala. Estamos à mercê desses descuidos”.

Settran esclarece episódio e promete orientar empresas

Questionado, o Setor de Trânsito e Transporte da Prefeitura (Settran) esclarece que já há algum tempo esse tipo de situação não tem ocorrido e que o caso específico foi uma situação isolada. “Conforme apurado com a empresa responsável pelo veículo, o GPS informou o trajeto e, como o motorista não era da região, ele desconhecia o trecho. A recomendação é que veículos acima de 50 toneladas evitem transitar naquele local, devido às características da via, que não comporta a circulação segura de caminhões de grande porte”, disse o setor ao A Notícia.

O Settran informou também que planeja se reunir com as empresas responsáveis por transporte pesado no município para orientar sobre a questão e estudar rotas adequadas para esse tipo de carga.