A Polícia Civil realizou uma coletiva de imprensa e concedeu detalhes da operação Guardiões do Prata, lançada na manhã desta sexta-feira (14) no Médio Piracicaba e no Vale do Aço. Os delegados Bernardo de Barros Machado, chefe da 4ª Delegacia Regional, e Raphael Dias do Carmo Machado, titular da Delegacia de São Domingos do Prata, forneceram mais detalhes sobre a operação “Guardiões do Prata”.

A força-tarefa policial passou por São Domingos do Prata, João Monlevade, Dionísio, Ipatinga e Timóteo. Foram 17 mandados de prisão e 32 de busca e apreensão. Os crimes investigados são tráfico de drogas, porte ilegal de arma de fogo, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Até o início da tarde, a operação efetuou a prisão de nove procurados, todos em São Domingos do Prata. São todos adultos, provenientes do Médio Piracicaba e com extensa ficha criminal. Conforme informado por volta das 17h50, o número de detidos já havia subido para 11, sendo um desses dois últimos preso em flagrante.

Perigosos e violentos

Conforme os delegados, esses presos são considerados perigosos, com acesso a armas de fogo e relação com crimes violentos. O grupo, como informado, tinha vínculos com o Comando Vermelho e tentava se instalar na região. Alguns dos presos foram atrelados aos delitos de sequestro e homicídio. Conforme explica o delegado Bernardo Machado, além dos mandados cumpridos, também houve a ratificação da prisão em flagrante, em virtude de droga e arma de fogo encontradas, pelas quais os detidos também responderão. Eles ficarão recolhidos no presídio de João Monlevade.

Prejuízos ao crime

A operação “Guardiões do Prata” apreendeu seis veículos, uma pistola, cocaína, maconha, aparelhos eletrônicos e dinheiro, que uma contagem parcial indicou serem R$6 mil. Para preservar dados sensíveis das investigações, o delegado Raphael Machado optou por não divulgar o valor do prejuízo aplicado ao tráfico de drogas. Todavia, ele assinala o impacto que a operação “Guardiões no Prata” teve para abalar o bando criminoso: “Hoje, a gente conseguiu chegar na quase totalidade do grupo. A gente vai manter o trabalho para que eles não possam recrutar mais pessoas. A investigação continua, e a gente vai pegar um por um. Enquanto estiverem sendo perseguidos, eles não vão se organizar”.

Laço cortado

O delegado Raphael Machado explicou que o grupo criminoso, que tinha vínculos com o Comando Vermelho, tentava se instalar no Médio Piracicaba, com ramificações em João Monlevade e no Vale do Aço: “Hoje, a gente conseguiu, nessa ação, interromper esse fluxo criminoso”. Os bandidos tentaram criar um reduto no bairro pratiano do Cerâmica, mas a ação da Polícia Civil abortou o intento dos marginais. Eles tinham vínculos com meliantes em João Monlevade, na região do bairro Novo Cruzeiro.

A operação também mirou o delito de lavagem de dinheiro. Eles utilizavam terceiros e empresas para branquear os capitais ilícitos. No ano passado, a polícia já havia realizado uma operação contra esse tipo de crime no ramo de transportes. Conforme explica o delegado, a Polícia Civil investiga a participação de empresas pratianas nesse esquema.

O delegado Raphael Machado explica a razão de reprimir essas quadrilhas logo em seu nascedouro: “Essa é a importância de tirar de circulação essas pessoas. A violência deles, com essa característica de organização criminosa, vem em escalada. Começa com furto, com violência doméstica, e vai terminar num homicídio”. Ele destaca que a operação desta sexta-feira desarticulou pequenas quadrilhas regionais, interrompendo o fluxo de drogas e impedindo que elas se estabelecessem e se expandissem. Ele ainda ressaltou que o índice de homicídios na região é baixo, com todas as ocorrências sendo resolvidas.

Câncer

O delegado Bernardo Machado classificou a atividade criminosa como um “câncer”: “O tumor que estava crescendo foi cortado pela raiz. A gente reputa essas organizações criminosas como verdadeiros cânceres. O câncer a gente corta pela raiz, senão o tumor vai só aumentando. Nós temos esse compromisso com a segurança pública do Médio Piracicaba. Ficamos o dia todo mapeando”.

Terror

Raphael Machado, que trabalhou durante uma década na polícia fluminense, disse que o Rio de Janeiro é um “laboratório do crime”, e que bandidos de todo o Brasil procuram o estado litorâneo para conhecer os métodos criminosos das facções. A operação da Polícia Civil mineira interrompe a formação dessa quadrilha na região: ““Estão pensando que vão construir aqui, no Médio Piracicaba, algo semelhante a uma favela carioca. Não vão!”.

O delegado Raphael Machado relata que os bandidos impuseram um terror inédito à comunidade: “Até então, você não via pichações com símbolos de facções, não via esses indivíduos ostentando símbolos de facções. A gente não via esses criminosos circulando com arma de fogo na via pública à noite, perto da praça do Cerâmica, por exemplo. Um deles foi preso hoje. A gente não via usuários de drogas sendo torturados em via pública, e isso veio a acontecer recentemente. O perfil começou a ficar mais violento”.

O delegado Bernardo Machado completa: “Ameaçando moradores, efetuando disparos de arma de fogo em via pública. São indivíduos, no nosso ponto de vista, de uma certa periculosidade. A operação foi muito importante, porque retiramos do cenário social esse pessoal que vinha botando medo na comunidade local”.

Aos criminosos, o delegado de São Domingos do Prata deixa um recado: “Ninguém vai parar a gente! Quando houve aquela série de homicídios, a gente foi até a sociedade firmar o compromisso de manter o empenho total na resolução daqueles crimes. Isso aconteceu! O nosso compromisso é mantido”.

Raphael Machado ainda explica que as grandes facções criminosas não exercem seu poder sobre a região como em outras áreas do país: “A gente não tem, por exemplo, domínio territorial [dos criminosos]. A polícia entra onde ela quiser, a hora que a gente quiser! Isso é precioso demais para se perder. A gente vai preservar isso”.

Empenho

Raphael Machado destacou que a investigação foi “longa e profunda” reunindo muitas provas técnicas e dados de inteligência para embasá-la. Participaram mais de cem policiais civis, tanto da 4ª Delegacia Regional quanto de outras regiões. A operação “Guardiões do Prata” contou com mais de cem policiais civis, a Coordenadoria de Operações Estratégicas (COE), apoio aéreo, canil e Coordenadoria de Recursos Especiais (Core).

O delegado Bernardo Machado reitera que a corporação está empenhada em garantir a paz para a gente ordeira do Médio Piracicaba: “Hoje a Polícia Civil demonstrou a sua força. Mais de cem policiais, com helicóptero, com canil. Nós temos todo o apoio da nossa chefia. Nós estamos amparados pelo estado no sentido de fazer com que a nossa região continue segura. A população pode ficar tranquila”.

Continua

A operação “Guardiões do Prata” continua, com a perícia de telefones celulares apreendidos. Ainda há sete foragidos, e, conforme diz o delegado Bernardo Machado, “mais cedo ou mais tarde vão ser presos. Uma hora esses mandados de prisão serão cumpridos”. A população pode ajudar a prender esses criminosos, através dos telefones 197, da Polícia Civil; 190, da Polícia Militar; e 181, do Disque-Denúncia Unificado (DDU), com anonimato garantido: “Todas as denúncias são apuradas. Nada é jogado fora”.