Nome forte nos bastidores da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), o deputado estadual Tito Torres (PSD) é cotado para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG), órgão em que já atuou como servidor e que foi presidido por seu pai, o também ex-deputado estadual, Mauri Torres.
Nesta entrevista ao Jornal A Notícia, Tito fala abertamente sobre o movimento nos bastidores, o desejo de ocupar uma cadeira no TCE, os planos eleitorais para 2026, e as ações desenvolvidas como presidente da Comissão de Meio Ambiente da Assembleia.
O parlamentar também detalha sua atuação junto aos municípios da região do Médio Piracicaba, com destaque para investimentos no Hospital Margarida e a defesa pela duplicação da BR-381. Confira:

Deputado, seu nome tem sido especulado para o Tribunal de Contas. De fato, há essa movimentação? O senhor se considera preparado para assumir essa função?

Tenho sim o desejo de ir para o Tribunal de Contas. Tenho conversado nos bastidores da Assembleia, destacando que isso passa muito pela presidência da Casa e que essa é uma votação interna. Terá uma vaga agora e não serei candidato a ela — provavelmente será o deputado Alencar o indicado. Mas terão outras duas vagas, e nessas entrarei na disputa.
Meu nome estava colocado para esta primeira vaga, mas havia outros deputados também. Se não me engano, eram nove candidatos para três vagas. Dos nove, apenas dois ainda seguem na disputa. Mas acredito que não haverá embate e que a decisão será consensual. E isso é o que esperamos também nas próximas indicações.
Eu me sinto preparado para assumir uma cadeira no TCE. Acompanho a carreira do meu pai há 30 anos, estou na Assembleia há 10, já trabalhei no Tribunal e conheço muito bem o funcionamento e a importância do órgão.

Caso a indicação se concretize, como o senhor vê a transição do Legislativo para uma função técnica e fiscalizadora?

Com certeza são funções diferentes. Mas, como disse, já conheço bem a rotina do Tribunal. Meu pai ficou quase 14 anos no TCE, e em 10 desses anos eu estive como deputado, acompanhando o seu trabalho. Tenho também uma boa relação interna, pois já fui servidor do órgão. Conheço a dinâmica, os desafios, e estou preparado para deixar o Legislativo se for essa a escolha. Mas, de toda forma, a única certeza que tenho hoje é que serei candidato a deputado estadual em 2026.

Se não for ao TCE, o senhor cogita disputar outro cargo, como a Prefeitura de João Monlevade?

Não. Isso não está nos meus planos. Se eu não for para o TCE, meu caminho natural é disputar novamente uma cadeira na Assembleia em 2026. Esse é o projeto no qual estou focado.

Como o senhor avalia o cenário político mineiro para 2026?

As eleições de 2026 estão se aproximando e, ao mesmo tempo, ainda não temos um nome forte colocado. O vice-governador Matheus Simões (Novo) deve assumir o governo no início do próximo ano e, naturalmente, pode ser candidato à reeleição. Fala-se no senador Cleitinho (Republicanos), no deputado federal Nicolas Ferreira (PL), mas acredito que, no fim das contas, a direita deve caminhar unida.
A esquerda ainda não tem um nome claro. Não sabemos se o Rodrigo Pacheco virá, se o Alexandre Silveira será candidato. Há muitas conversas de bastidores, mas creio que só teremos definições mesmo no período das convenções.

Deputado, mudando de tema: o senhor preside a Comissão de Meio Ambiente da ALMG. Quais os principais avanços e desafios enfrentados sob sua gestão?

O desafio maior é conciliar meio ambiente e desenvolvimento econômico — e isso é uma luta constante. Em dois anos à frente da Comissão, aprovamos projetos importantes, como a regulamentação do Fhidro, o PECMA, que garante recursos para projetos ambientais, e outros programas relevantes.
Desde o início, deixei claro que todos os temas seriam debatidos abertamente, com espaço para diferentes visões. E isso temos feito com responsabilidade. O embate entre preservação e crescimento vai continuar existindo, mas nosso trabalho é buscar permanentemente o equilíbrio.

E quanto à proposta do Governo Zema que dispensa licenciamento para determinadas propriedades rurais? Como o senhor avalia?

Essa é uma medida polêmica, e dentro da Comissão temos opiniões diferentes. Eu, pessoalmente, sou favorável. Hoje, a legislação ambiental em Minas é bastante protetiva, mas na prática a burocracia atrasa muito os processos. Tem gente esperando cinco, seis anos por um licenciamento.
Essa proposta do Governo, que ainda será votada, segue modelos já aplicados em outros estados. Considerando que grande parte do PIB do Brasil e de Minas vem da agropecuária, vejo a medida como um avanço necessário para destravar o setor produtivo, sempre com responsabilidade ambiental.

E qual é sua avaliação geral do governo Romeu Zema?

Minha avaliação é positiva. Quando o governo assumiu, o Estado estava quebrado, com salários atrasados e sem repasses para os municípios. Hoje, a situação é bem diferente. Ainda temos desafios, o principal deles é a dívida de Minas com a União. Mas estamos trabalhando na adesão ao Propag (Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados e do Distrito Federal com a União), o que pode dar fôlego para investimentos e reajustes aos servidores. Diante de tudo que vivemos, incluindo uma pandemia, acredito que o saldo do governo Zema é positivo, e espero que continue melhorando.

Sobre a Uemg em João Monlevade? Sabemos que há risco de federalização ou venda de imóveis da universidade. Como está essa situação?

O Propag permite que o Estado utilize ativos, como imóveis, para pagamento da dívida com a União. Foi feito um levantamento de bens disponíveis, mas acredito que a questão da federalização da Uemg e da venda de imóveis não deve avançar na Assembleia. Inclusive, o próprio vice-governador comentou que nem os professores, nem os alunos, nem a diretoria da universidade estão dispostos a isso. A Uemg é hoje uma instituição forte, consolidada, com mais prestígio como universidade estadual. Espero que essa proposta não evolua.

O que os municípios da região podem esperar do deputado Tito Torres?

Acredito que a população da região conhece meu trabalho e meu compromisso. Tenho destinado emendas para todos os municípios do Médio Piracicaba e trabalho de forma próxima com prefeitos, vereadores e lideranças locais. Uma das minhas prioridades é o fortalecimento do Hospital Margarida, que é referência para toda a região. Também sigo lutando pela duplicação da BR-381, que é uma necessidade urgente. Minha mensagem é de compromisso e trabalho. Continuarei buscando investimentos e melhorias para que nossa região cresça com qualidade de vida para sua população.