A implantação da praça de pedágio no trecho da BR-381 que corta João Monlevade, nas proximidades do posto da Polícia Rodoviária Federal (PRF), tem gerado inquietação entre vereadores e lideranças regionais. O motivo central da preocupação é o impacto direto no tráfego urbano, especialmente, nos bairros Egito e Jacuí, que podem se transformar em rotas de desvio para motoristas tentando escapar da cobrança.

O assunto já foi tratado na Câmara Municipal, que cobra maior transparência e diálogo por parte da concessionária responsável pela rodovia, a Nova 381. Na avaliação dos parlamentares, a cidade corre o risco de ver seu trânsito urbano sobrecarregado, com aumento no fluxo de veículos pesados, incluindo carretas, desviando pelo perímetro urbano para evitar o pedágio. “Pode virar um caos no centro da cidade. As pessoas vão querer desviar o caminho da BR”, alertou o vereador Marquinho Dornelas (Republicanos), que defendeu a realização de uma audiência pública para discutir o tema com a sociedade.

O vereador Zuza do Socorro (Avante) criticou a falta de comunicação da empresa com o Legislativo. Segundo ele, a implantação da praça de pedágio impacta diretamente moradores e empresários. “Que empresário vai querer ir para o Distrito Industrial se tiver que pagar pedágio caro todos os dias? Precisamos de esclarecimentos”, afirmou, citando especialmente os moradores do bairro Egito, que podem ter a mobilidade comprometida.

O presidente da Câmara, Fernando Linhares (Podemos), reforçou que, embora a duplicação da rodovia e os investimentos em segurança e infraestrutura sejam positivos, é fundamental avaliar os reflexos locais. “Existe uma possibilidade concreta de o bairro Jacuí se tornar um puxadinho da 381. Isso significa mais trânsito, mais risco de acidentes e maior desgaste do nosso asfalto. Precisamos saber se haverá contrapartidas para o município, como a municipalização de trechos ou isenção para veículos locais”, destacou.

Por outro lado, Linhares também reconhece que a duplicação pode trazer benefícios indiretos à cidade, como incremento no comércio local por conta de motoristas que parem para abastecer ou consumir. No entanto, alerta: “Temos que sentar com a empresa e discutir formas de mitigar os impactos negativos desse desvio que pode acontecer por dentro da cidade.”

A falta de retorno da Nova 381 foi mencionada também pelo vereador Belmar Diniz (PT), que encaminhou ofício com questionamentos à concessionária, mas não obteve resposta. Segundo ele, a ausência de diálogo inviabiliza o planejamento urbano adequado e gera insegurança na população.

Outras lideranças

Além dos vereadores, o tema repercutiu entre lideranças regionais. O prefeito de Rio Piracicaba e presidente da Associação dos Municípios da Microrregião do Médio Piracicaba (Amepi), Augusto Henrique (Cidadania), afirmou que faltou mais escuta à comunidade na definição do local do pedágio. “Acho que esse radar deveria ser colocado mais próximo ao bairro Tanquinho, justamente para minimizar o impacto social nos bairros mais populosos de Monlevade”, sugeriu.

Já o coordenador do Movimento Pró-Vidas da BR-381, Clésio Gonçalves, lembrou que a concessão prevê tarifas flexíveis, com possibilidade de descontos para quem passa frequentemente. Segundo ele, houve audiência pública sobre o assunto, mas com baixa adesão popular.

Prefeitura acompanha

Questionada, a Prefeitura de João Monlevade afirma que acompanha com atenção o debate. “Desde o início do processo, o município tem mantido diálogo constante com a concessionária responsável, buscando soluções que minimizem possíveis impactos à mobilidade urbana e ao cotidiano da população local”, informa a administração em nota.

Ainda segundo o governo municipal, a avaliação da concessionária é que, inicialmente, pode sim haver um aumento temporário no fluxo de veículos pesados, como caminhões e carretas, tentando utilizar vias urbanas para desviar do pedágio. “No entanto, em um curto espaço de tempo, essa prática tende a ser desestimulada de forma natural, uma vez que atravessar a cidade aumenta o consumo de combustível, o tempo de deslocamento e os riscos operacionais para os motoristas”, diz o governo.

Além disso, a gestão municipal afirma que está tomando medidas concretas para prevenir esse tipo de desvio de rota. “Está em fase final de elaboração um projeto de lei que será encaminhado à Câmara Municipal com o objetivo de restringir a circulação de veículos de carga em áreas urbanas do município quando houver intenção clara de desviar o pagamento de pedágio”, afirma a gestão municipal.