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Editorial
13 de Maio de 2022
Abusos são inaceitáveis

João Monlevade registrou números estarrecedores de violência sexual contra crianças e adolescentes. Em dois anos, justamente na pandemia, os casos de abusos cresceram 850%. Em 2019, o Centro de Referência de Assistência Social (Creas) fez seis registros. Em 2020, os crimes saltaram para 23 e não pararam de crescer: foram 51 em 2021 e até abril deste ano, já são 18 denúncias. 

A maioria dos abusadores é próxima das vítimas, que têm entre 2 e 11 anos. Isso expõe ainda mais os desafios de lidar com os casos, que ocorrem quase sempre, no ambiente familiar, às vezes, dentro de casa. Os dados chamam a atenção também para implantar mais medidas protetivas, além do incentivo à denúncia. O poder público local intervém com palestras em escolas e em projetos sociais, além de capacitar professores, para melhorar o acolhimento. 

É que os profissionais da educação são os que mais ouvem os relatos das vítimas. Lamentavelmente, com a suspensão de aulas, as crianças e adolescentes perderam esse contato. Ao contrário, ficaram mais vulneráveis à ação dos criminosos. Assim, os números podem ser ainda maiores. 

A verdade é que João Monlevade não está isolada. Em todo o país, a subnotificação dos dados, entre outras demandas da área social, são problemas antigos e devem ser tratados com seriedade e urgência.

 A próxima quarta-feira (18) é o Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Que os casos registrados não fiquem impunes porque abusos contra os menores são inaceitáveis.