Desde 1984
Paulo Roberto Reis
13 de Maio de 2022
Mais um 13 de maio

Hoje, 13 de maio, comemoramos mais uma vez, a data da Abolição da Escravatura. Mas perguntamos, diante da situação enfrentada no dia a dia do negro brasileiro. Será que tivemos mesmo a Abolição neste país? 

Quando tomamos conhecimento de que em pleno século XXI, dona Madalena Santiago Silva passou mais de cinquenta anos escravizada por uma família brasileira, fica difícil acreditar. Nem é preciso dizer que a dona Madalena é negra, a marca do povo escravizado. A situação começou em 1967 e perdurou até agora. A justificativa da senhora que a mantinha escravizada, dada à imprensa, é que ela era considerada da família. Infelizmente, ainda vamos encontrar muitas outras donas Madalenas por aí.

No governo desse racista, misógino, homofóbico e xenófobo, entre outras coisas, as pessoas de má índole se sentem muito à vontade para discriminar as outras. Tanto financeiramente quanto na questão racial. Nunca no Brasil fomos tão xingados pela cor de nossa pele como está acontecendo agora. Seja nas ruas, nas redes sociais e, principalmente, nos campos de futebol. É lamentavelmente frequente que torcedores de outros países sentem-se no direito de xingar nossos jogadores de macaco, mono, etc. Até mesmo dentro de estádios brasileiros. Isso tudo reflexo daquele que, no momento, brinca de comandar o país.

Apesar de tudo isso, acho que temos sim, a obrigação de comemorar esse dia, em respeito a todos aqueles e aquelas que muitas vezes deram a sua vida para que eu pudesse estar aqui, agora, falando sobre isso. Uma exposição no Rio de Janeiro dá o reconhecimento devido aos protagonistas negros da história do Brasil. Justa e merecida homenagem.

Que bom poder falar de Francisca, chamada de Grande Rainha pelo povo negro do Recôncavo Baiano; de Caetana, que cresceu numa fazenda em São Paulo e mesmo com a opressão da sociedade escravagista da época, recusou o marido que lhe impuseram. Outro personagem importante, Daniel, um dos líderes da Insurreição de Viana, no Maranhão que, numa carta, reivindicava a liberdade de todos os escravizados. E como não falar da Tia Ciata, mulher alegre e festeira, que juntava o povo negro em sua casa, tendo ali, nesse movimento (ainda proibido) criado o samba, um de nossos patrimônios culturais.

Talvez agora esteja surgindo uma luz no fim do túnel com a indicação da juíza Vera Lúcia Santana, a primeira negra a ser indicada para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Justamente, no ano decisivo, em que os brasileiros podem tirar no voto, o ocupante temporário do Palácio da Alvorada, que tenta apagar a importância dos negros. Temos que reescrever a história do nosso Brasil, onde nós, negros, ocupemos o lugar de direito. Com muita luta e fé, aguardemos! Tempos novos hão de vir!


(*) Paulo Roberto Reis é negro, professor, auditor da Receita Federal aposentado e ex-secretário municipal de Saúde de João Monlevade