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Editorial
04 de Fevereiro de 2022
Culpa das chuvas?

A Câmara de João Monlevade aprovou projeto de Lei, nesta semana, de autoria do Executivo, que libera recursos de R$5 mil para famílias atingidas pelas enchentes neste ano. Para custear, os recursos, R$4 mil virão da Prefeitura e R$1 mil é fruto das sobras do Legislativo, normalmente devolvidas a cada ano.

A ação é positiva porque é necessário ajudar quem perdeu tudo e o dinheiro é sempre bem-vindo em situações assim. O valor é razoável à primeira vista, mas não resolve muito. As famílias ficaram sem móveis, objetos, pertences, memórias, foram abaladas pelo susto e pela tristeza e, agora, têm as estruturas de suas casas danificadas. Não é só o dinheiro que vai reparar isso.

Melhor seria, se a Prefeitura anunciasse também um conjunto de medidas que evitassem o alagamento das ruas e das residências. Até porque, vai voltar a chover, o rio vai encher e as casas ficam em risco novamente. E isso vai ficar assim para sempre? Outra pergunta: a culpa é mesmo das chuvas? Ou da inoperância de anos de governos que não resolveram o problema? O momento é de pensar ações para evitar que ele se repita. 

A situação aqui ainda é muito mais confortável do que a de Rio Piracicaba ou a de Nova Era, onde o rio corta as cidades ao meio. Por isso, é possível prevenir e trabalhar para minimizar os impactos das cheias do rio nos bairros Centro Industrial e Santa Cruz, sobretudo, na avenida Amazonas.

Do contrário, todos os anos haverá a repetição de tragédias, dramas e sofrimento. E a pergunta que fica é: até quando? João Monlevade pode e merece mais. Aliás, a população do Santa Cruz sofre muito. Moradores ficaram dois anos sem uma ponte e, há pouco tempo, é que a licitação foi feita. Mesmo assim, a obra ainda não foi concluída. Aquela população precisa ser melhor atendida, não só quando problemas acontecem, mas sobretudo, com o trabalho preventivo para diminuí-los ou evitá-los.