Desde 1984
() Samuel Miranda
14 de Janeiro de 2022
O preço do sonho

O tema do meu texto hoje é um pouco diferente dos anteriores. Não venho falar nada relacionado à administração pública, venho falar sobre sonhos. Com o retorno gradual das aulas presenciais das universidades, há um grande deslocamento dos estudantes para as cidades universitárias, ou seja, seguir a vida longe das famílias após todo esse período de quarentena em casa. É o meu caso, por exemplo.

Passei na Universidade Federal de Lavras, em Administração Pública, no segundo semestre de 2019. Devido a pandemia no ano seguinte, retornei para João Monlevade em 2020 e fiquei poucos meses em Lavras. Esse curto período presencial que estive na universidade foi extremamente importante para mim, uma vez que saí de casa para estudar em uma cidade distante, onde não conhecia ninguém e tive que me virar para fazer tudo, sem a ajuda dos meus pais ou familiares. É um choque de realidade gigantesco quando saímos de casa para seguir nossas vidas.

Entretanto, após esse breve tempo em terras lavrenses, houve a suspensão das atividades presenciais, o que nos fez retornar à casa de nossos pais e nossas cidades de origem. Esse retorno foi muito difícil, visto que estava começando a acostumar com a nova rotina e os novos desafios para pouco tempo depois, dar um passo para trás, retornando a conviver com nossas famílias. Nunca imaginei que essa pandemia durasse dois anos.

Meus pais sempre deram a liberdade para mim e meu irmão de decidir nosso futuro, não importa o curso ou a cidade. Nunca houve uma imposição deles de ter algum médico ou engenheiro dentro de casa. Acredito que essa liberdade deveria ser para todos, pois o curso que escolhermos será a porta de entrada para a profissão que trabalharemos todos os dias de nossas vidas. Fica aqui o meu conselho aos pais, conversem com seus filhos e escutem o que eles têm a dizer sobre o que pretendem fazer, se não teremos futuros universitários e profissionais frustrados. 

Em 2022, após grande parte da população estar vacinada, as atividades presenciais podem retornar de forma gradual. Encontro-me em Lavras desde o último dia 06, uma vez que minhas aulas retornariam esta semana, mas foram adiadas para o próximo mês. Após me despedir da minha família e amigos, principalmente do meu avô que eu ficava com ele todos os dias durante a pandemia, senti todo um medo de estar deixando-os para realizar meu sonho de chegar a ser Senador por Minas Gerais. Uma junção de sentimentos aparece, o pior talvez seja a sensação de estar vendo aquela pessoa pela última vez. Isso é o que mais dói. 

Não vou desistir dos meus sonhos, graças a tecnologia posso conversar por vídeo com minha família e meus amigos para diminuir um pouco essa saudade. Tenho como principal objetivo deixar minha família orgulhosa do caminho que construí, isso que me motiva a estar tão longe de casa e a superar desafios em uma cidade totalmente independente. 


(*) Samuel Miranda, monlevadense cursando Administração Pública na UFLA