Desde 1984
Alexsandra Fernandes
19 de Novembro de 2021
Consciência Negra

O Dia da Consciência Negra é uma data celebrada no Brasil no dia 20 de novembro. Este dia está incluído na semana da Consciência Negra e tem como objetivo uma reflexão sobre a introdução dos negros na sociedade brasileira. O dia 20 de novembro foi escolhido como uma homenagem a Zumbi dos Palmares, data na qual morreu, lutando pela liberdade do seu povo no Brasil, em 1695. 

 Para começo de conversa, vale explicar que o dia da Consciência Negra só é polêmico e cheio de dúvidas sobre a necessidade dessas comemorações apenas para quem se sente desconfortável em assumir que vive em um país racista. E também para quem está cheio de privilégios e com resistência em assumi-los. O que nós queremos é que um país e ou uma cidade onde a maioria é preta, que tenha o resgaste da nossa história. 

 A data que era comemorada apenas por um dia, foi crescendo e passando para semana da consciência negra, até chegar ao mês preto. O mês existe para trazer foco e evidenciar a desigualdade e violência contra a população negra. Mais do que uma festa em que celebramos as nossas potências, a data proporciona reflexão. Muitos são contra, pois é. O mito da democracia racial ainda impede que exaltemos nossos heróis e heroínas negras 

Então, para entender e respeitar o importante mês da consciência negra, primeiro precisamos (AINDA!!) ser didáticos e apresentar esta triste realidade brasileira de que o racismo ainda existe, a desigualdade ainda existe. E, por isso, precisamos desse mês. 

Ou seja, estamos vivos, resistindo, lutando. Mais do que isso, estamos reverenciando o nosso líder Zumbi dos Palmares, sim! E Dandara também, e Luiz Gama também e todos outros que estão presentes. Sim, nossos heróis ainda vivem. Não vai ser qualquer um que vai nos silenciar com o discurso do “somos todos iguais”.

Não somos iguais e todos sabemos disso. Somos diferentes porque somos diversos, mas o diferente é lindo, necessário, o diferente também ama, sangra. O diferente também chora e sorri. O diferente também paga seus impostos, também vota. O diferente move o mundo. Então, quando o mundo for equidade, ai sim, falaremos que somos todos iguais. Até lá, leiam, estudem a nossa história, escutem e reflitam! Nossa história vem antes da escravidão, somos descendentes de Reis e Rainhas.

Na minha mente tem milhares de personalidades que lutaram por nossa liberdade e cada uma dela traz milhares de histórias. Estudem!! E que venha o dia 20 de novembro! Ubuntu! No mês da consciência negra a Associação Monlevadense de Afrodescendentes (AMAD) promoveu, em alguns cantos da cidade, outdoors para trazer representatividade ao povo negro que passa e se identifica. Várias pessoas nos ligam emocionados por nunca terem se imaginado em evidência. Povo preto, acorde, somos resistência.


(*) Alexsandra Mara Felipe Fernandes é presidente Associação Afrodescendentes de João Monlevade (AMAD)