Desde 1984
João Gabriel Grabe
10 de Setembro de 2021
Ajuda necessária

Estamos em setembro, o mês dedicado mundialmente a prevenção ao suicídio pela campanha do Setembro Amarelo. É importante pensarmos que durante todo o ano são registrados cerca de 13 mil suicídios no Brasil e mais de 1 milhão no mundo. Ocasionado por diversos fatores como transtornos psicológicos (depressão, bipolaridade, entre outras), abuso de substâncias, fatores sociais e econômicos, dentre outros, o suicídio, assim como a depressão, não são causados por falta de uma crença ou de uma religião como é popularmente dito. Ela atinge a todos, sem se importar com a classe social, com a raça, com a crença, com a idade ou com o gênero.

 O suicídio, ou a ideação suicida, é resultante de um sofrimento muito intenso do indivíduo, sofrimento esse que para muitos pode não fazer sentido ou ser apenas uma bobagem, mas para quem sofre é algo insuportável, tão insuportável que a ideia de colocar um fim a própria vida passa a ser uma saída. Ignorar o sofrimento do outro é o que faz muitas vezes o indivíduo acreditar que está sozinho. 

Lidar com o sofrimento do outro não é algo fácil, talvez você não consiga escutá-lo completamente, nem compreendê-lo, mas isso não quer dizer que você não possa ajudar. Mas para isso, muitas vezes, precisamos deixar de pensar no que é o sofrimento para nós mesmos, para podermos assim entender o que é o sofrimento para o outro. Cada pessoa sente de uma forma, cada pessoa sofre de uma maneira e cada pessoa se recupera no seu próprio tempo. Não adianta forçar, brigar, obrigar a um movimento para uma melhora, pois muitas vezes essas pessoas, nesse estado de sofrimento, não sabem qual caminho seguir. Nesse sentido é importante que você, ou aqueles que estejam próximas a pessoa que está em sofrimento, ofereçam um caminho possível, sendo esse uma ajuda especializada, partindo de um psicólogo e/ou um psiquiatra. 

Se você tem um filho (a), um cônjuge, um familiar, um amigo (a), um namorado (a) ou conhece alguma pessoa que pede ajuda, não diretamente, mas que cobre atenção, diálogo, presença, que brinca sobre a morte ou com qualquer outra coisa que se remeta a um sofrimento, não deixe de oferecer ajuda nessa busca de encontrar um profissional qualificado. Apresente-a ao CVV, ao CRAS, aos projetos psicológicos com valores sociais, aos psicólogos que você conhece ou segue nas redes, essa é a ajuda que eles precisam.

Para conhecer mais sobre a campanha do Setembro Amarelo, para desconstruir mitos e inverdades sobre o suicídio e os transtornos que permeiam esse problema, não deixe de acessar o site da campanha. Lá são disponibilizadas várias cartilhas e informativos para ajudar aqueles que precisam e aqueles que não sabem como lidar diretamente com as pessoas em sofrimento mental. Para você que possui alguém próximo em estado de sofrimento, não deixe de buscar ajuda para si ou até mesmo orientações. A saúde mental é importante para todos. Não tenha medo, não tenha vergonha, não tenha receio, nós psicólogos estamos aqui para lhe escutar, sem julgamentos, sem crenças e sem valores envolvidos nessa escuta. Não deixe de buscar ajuda.


(*) João Gabriel Grabe Valeriano é psicólogo monlevadense