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Editorial
13 de Agosto de 2021
Não tem solução fácil

A atual crise envolvendo o transporte público em João Monlevade é mais um exemplo de gargalo dos governos municipais. O aumento nas passagens dos coletivos é algo impensável neste momento, em que toda a população está afetada por conta da crise provocada pela pandemia. Por outro lado, a conta do custo do transporte não fecha. Segundo a empresa, a tarifa em R$4,10 está defasada e deveria ser reajustada para cerca de R$7,00. Para evitar que o cidadão pague essa conta, o Executivo oferece ajuda de R$2 milhões, pagos em seis parcelas de R$350 mil para a Enscon. 

Acontece que a população não está satisfeita com os serviços prestados e acha um absurdo que o município repasse recursos para a empresa. A decisão cai no colo dos vereadores que, nas palavras de Thiago Titó (PDT), “estão entre o espeto e a brasa”. Se eles aprovam, “queimam o filme com a população”. Se eles reprovam o projeto, a passagem tem reajuste em tempos de crise. 

Nas redes sociais, não são poucas as críticas, ideias e apontamentos para o caso. A questão é que o tempo está passando e o reajuste anual da passagem, geralmente, ocorre em fevereiro, junto à data-base da empresa. 

Em países da Europa e em grandes capitais do país, as Prefeituras assumem os custos do transporte público, complementando o valor pago pelos usuários. Em outros casos, a administração paga todo a despesa e fica com o valor da roleta. São possibilidades a serem pensadas num futuro. Além disso, com a nova licitação para a concessionária do transporte, prevista para o ano que vem, podem surgir opções modernas: ônibus elétricos, esquemas de de baldeação, ônibus menores e integração com vans para bairros de baixa demanda, entre outras medidas. Mas isso é assunto futuro. Agora, é preciso definir o melhor ou o menos pior dos caminhos para que a população não seja penalizada. De fato, não tem solução fácil.