Desde 1984
Alê Telles
16 de Julho de 2021
Empreendedorismo, Dores e Delícias

Parte II


Escrevi na última coluna sobre o porquê de ter partido para o empreendedorismo. Compartilharei algumas lições da jornada:

Fazer o que precisa ser feito, não apenas o que gosta de fazer.

Corrigir rotas constantemente. Erros fazem parte do processo, a diferença está na velocidade de correção. 

Tenha um compromisso com seu negócio, ele depende 100% de você.

Consistência, não dá para fazer um filho em um mês com nove mulheres. O mesmo vai acontecer com sua empresa. Esforços contínuos e gradativos.

Alguns clientes não serão clientes para o seu negócio. É via de mão dupla. O mercado enxerga seu produto e/ou serviço junto aos seus concorrentes e você conhecerá melhor sobre seu nicho. Não se apegue àqueles que não são seu público.

Muitos vão te criticar ou decepcionar. Persere. 

Outros tantos vão te apoiar. E esse apoio por vir de onde menos se espera.

Seja humilde, não entre no negócio achando que sabe tudo. A gente não sabe, e vai morrer aprendendo. “Treino é treino, Jogo é jogo”.

Controle seus gastos. Não conheço ninguém que começou um empreendimento ganhando muito dinheiro (ou um mínimo para equacionar receitas e despesas). O financeiro para mim foi a experiência mais cruel e também a de maior aprendizado. Então caro leitor, mantenha seu fluxo de caixa atualizado mensalmente. Metas não são batidas no último dia do mês e sim dia após dia, semana por semana. Lembra da dica da consistência acima?

No início será muita ralação. Cansaço físico e mental. Sem horário para começar ou terminar. Você está construindo seu sonho e, se tudo correr bem, um dia será recompensado pelo que construiu durante um bom tempo. Essa é a magia de tudo.

Celebre pequenas vitórias. Sempre haverá um elogio, um cliente que te encherá de esperança, o primeiro dinheiro, ou a abertura do CNPJ, comemore. Esta é a energia que nos impulsiona.

Não caia na armadilha do APREendorismo. Acreditar que nunca está pronto, que precisa aprender algo para começar é um sabotador para o seu negócio. Comece com o que tem e vai aperfeiçoando.

A coragem tem que ser maior que seu medo.

Busque por parcerias de mão dupla. Entrei em muitas parcerias onde me dedicava, me encaixava na agenda do outro e no final, descobri que só eu estava comprometida, estava na verdade trabalhando para o negócio do outro.

Somos uma marca, estamos o tempo todo transmitindo algo.

Não é vergonha cobrar por um produto ou serviço, este é seu trabalho e seu ganha-pão.

Estude, busque escolas de negócios, mentorias. Converse com outros que já passaram pelo processo, amplia seu horizonte e pode evitar alguns erros.

Networking, estreitamento profissional. Indicar e ser indicado e a roda gira.

A curva de aprendizado é íngreme, mas ao perceber que você pode trabalhar para si mesmo o tanto que trabalhou para os outros, você se torna um fenômeno da natureza: imparável.

Espero que essas lições que foram importantes para mim também sejam para quem deseja sair da zona de conforto e empreender. 


(*) Alê Telles é monlevadense e especialista em RH