Desde 1984
Flávia Silva
18 de Junho de 2021
O retorno está próximo

Felizmente, a comunidade escolar começou a se vacinar e se prepara para um retorno seguro às atividades presenciais, embora parcelas da sociedade acreditem que já deveríamos estar em sala de aula ou que nem deveríamos ter saído. Mas não culpo as famílias. Essas são vítimas de uma estratégia adotada e propagada por governos que pregam a crença de que trabalhamos por amor, justificando assim nossa péssima remuneração, a falta de investimentos na escola e, agora, vendem a ideia de que deveríamos estar nas escolas, sem condições adequadas, expostos ao vírus, para “salvar a educação”.

 Durante 15 meses fomos agredidos, julgados e responsabilizados pelo stress das crianças, pela depressão dos adolescentes e pelo desemprego das famílias que encontraram as creches fechadas. Viramos testa de ferro de um governo incompetente e irresponsável que deixou de responder 81 e-mails oferecendo vacinas e ainda assim, a romantização da nossa profissão, faz com que a culpa do fechamento das escolas, por ingerência de pandemia, recaia sobre nós. Embora o início tardio da vacinação tenha causado a falsa impressão de “controle da pandemia”, ontem morreram 3 mil pessoas no Brasil.

Nesse sentido, não justifica expor a comunidade escolar ao risco de contágio, já que falta tão pouco para alcançarmos a cobertura ideal para um retorno seguro. A Prefeitura de João Monlevade, por sua vez, anunciou ontem, de forma acertada, o retorno das atividades presenciais após a imunização de 55% da população de nossa cidade, priorizando a vida e a segurança de todos. Decisão condizente com a realidade de algumas escolas estaduais em Monlevade que não possuem estrutura, sequer, para proteger nossos alunos da chuva. Nesse sentido, cabe ainda defender um retorno unificado da educação, já que uma das bandeiras da educação é a inclusão. 

As escolas que protegem da chuva e aquelas que protegem da fome, devem retornar aos seus espaços físicos juntas. Afinal, nossa missão é atender a todos, sem distinção. A nossa luta é formar pessoas melhores para o mundo, porém, sem o apoio das famílias, a educação seguirá rechaçada e desvalorizada. Perdemos familiares e colegas para a Covid-19, sofremos o julgamento e a insegurança do retorno, mas seguiremos de cabeça erguida, lutando por uma educação de qualidade, pela segurança de nossos alunos e por dias melhores e por sorrisos descobertos nas salas de aula.


(*) Flávia Silva é professora da educação básica de João Monlevade


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