Desde 1984
Marcos Martino
30 de Abril de 2021
Monlevade, a capital do Médio Piracicaba

João Monlevade sempre esteve no meu trajeto. Para ir para BH, não tinha jeito. Eu tinha de passar aqui. Ainda menino pequeno em Alvinópolis, eu já ouvia falar de um lugar chamado Monlevade, onde tinha um bairro Carneirinhos e outro chamado Cruzeiro Celeste. Como sou cruzeirense desde pequetitinho, adorava esse nome.

 Depois passei a vir mais a Monlex, apeei muito na rodoviária antiga, que eu amava. Adoro tomar cafezinho na rodoviária. Coisa de gente doida né? Ainda acho que tirar a rodoviária dali foi péssimo, principalmente, para os moradores das cidades próximas que não têm carro. A gente já chegava e caia no meio da cidade.

 Mas eu comecei a vivenciar a cidade mesmo foi na época dos festivais. Com meu grupo Verde Terra, venci um Festival no ginásio do Grêmio lotado, com a música Interior. Foi um êxtase. Quando é que o pessoal parou de se interessar por festivais, hein? Era o maior barato. Os jurados levantavam as notas com tabuletas. Ganhamos 10 de cabo a rabo. Foi uma das melhores sensações da minha vida. Depois ainda tivemos a honra de sermos convidados para tocar numa EXpomon, promoção do João Bosco Paschoal, que adorava o trabalho do Verde Terra. Por aqui tinha duas figuras incríveis também: os saudosos Guido Walamiel e Wilson Vaccari. Esses dois eram muito ativos. Guido era muito querido por todos, generoso, ajudava os compositores a corrigirem suas letras, era um ser humano maravilhoso. 

Depois, com a banda de Rock República dos Anjos, tive a oportunidade de fazer alguns shows memoráveis. O público de Monlevade é quente e antenado. Só precisa ser instigado. Depois, comecei a interagir ainda mais com a cidade fazendo jingles. Conheci o Adaílton do Karas e Korpus e fiz o jingle para ele. Aquele jingle abriu as portas do mercado publicitário da cidade pra mim. Depois, tive a alegria de trabalhar com muita gente boa, com Marcelo do Hiper, Gianetti do Comil, Lucien da Farmácia Barros, a própria Rádio Alternativa, ArcelorMittal, até que finalmente fui trabalhar na Prefeitura, primeiro como assessor de comunicação, depois na Casa de Cultura. 

E até hoje mantenho vínculos profundos de amizade com a cidade. Uma forte parceria com a Rádio Alternativa de José Santana, com os jornais Bom Dia e A Notícia. Perigas ter mais amigos em Monlevade do que em minha cidade natal. E sou muito grato a essa cidade síntese, que oferece trabalho e oportunidades pra tanta gente. Assim como eu, tem os neomonlevadenses que vieram de Dom Silvério, do Prata, Nova Era, de Santa Bárbara, Itabira, Santa Maria de Itabira, São Gonçalo do Rio Abaixo, Nova União, Barão, Catas Altas, Dionísio, Guanhães, Ponte Nova, Sem Peixe, Bela Vista, Caeté, vários sotaques e culturas que fazem de Monlevade a mais cosmopolita da nossa região. Que me desculpe Itabira, que é até mais populosa e tem história, mas Monlevade pelos aspectos geográficos e estratégicos, pra mim é a capital do Médio Piracicaba. Parabéns à capital pelos 57 anos. Saúde e vida próspera para o seu povo!


(*) Marcos Martino é compositor e ativista cultural