Desde 1984
Nadja Lírio Furtado
16 de Abril de 2021
Monlevade 57 anos, vale a pena!

Há pouco mais de uma centena de dias assumi a direção da Fundação Casa de Cultura de João Monlevade e a cada dia que passa a soma das conquistas não diminui o saldo de desafios. Há sempre um punhado deles esperando para brotar do piso de cerâmica da sala de direção na rua Timóteo 142. Mas não venho aqui para falar sobre isso. Não necessariamente. Como dizia Pessoa: “Tudo vale a pena se a alma não é pequena”, e, para mim, a alma de toda cidade é a sua cultura, as suas muitas formas de ver, viver, criar e fazer. A nossa cultura é rica, mas passou por anos de uma desvalorização sistemática, cujas consequências percebemos no baixo consumo e na diminuída produção de bens culturais. O povo da cultura resiste firme, forte, mas muitos estão cansados. Precisamos rememorar os nossos poetas, nossos tantos artistas de todas as muitas linguagens. Precisamos acordar as crianças para todas as belezas que podem ser construídas com um pouco de emoção e coragem. Eu quero fazer parte desse resgate, junto a todos vocês. Acredito que possa ser feito. 

Por esse motivo, no mês do 57º Aniversário de João Monlevade, a Fundação Casa de Cultura realiza 3 projetos: os concursos de poesia e artes visuais “A Monlevade que eu sonho”, cujas inscrições encerraram dia 15 de abril, com o intuito de fomentar a arte criativa, promover a nossa memória e estimular a reflexão sobre a cidade que desejamos; o projeto “Mutirão de amor”, uma série de vídeos de performances artísticas dedicadas ao povo monlevadense; e, do dia 22 a 29 de abril, uma semana de celebração, informação, saúde, sustentabilidade e muita arte. 

Estamos na segunda etapa dos concursos “A Monlevade que eu sonho”, em que as Comissões Julgadoras farão a seleção de 10 poemas e 10 obras visuais. O resultado será publicado nas redes da Fundação Casa de Cultura, onde a população votará pelos 3 melhores de cada categoria, os vencedores receberão premiação e participarão de uma exposição pós-pandemia. 

O projeto “ Mutirão de amor” já conta com a participação de dezenas de artistas de várias linguagens e funciona como uma corrente: cada participante foi convidado por outro artista. As vídeo-performances, que incluem declamações de poemas, interpretações de coreografias, gravações de canções, etc, serão publicadas nas redes da Fundação diariamente, a partir do dia 19 de abril. O objetivo é compartilhar alento e emoção, e também mostrar que temos muitos grandes artistas.

Quanto à programação da semana do aniversário, serão cerca de 30 atividades, dentre elas apresentações artísticas; mostra de dança; espetáculos teatrais; oficinas de teatro, canto, dança, artes visuais, agroecologia, fotografia, e muito mais. Teremos também palestras que abordarão temas como saúde mental em tempos de isolamento, nutrição preventiva e os patrimônios históricos e culturais de João Monlevade. Entre as entrevistas, papos abertos com a cantora lírica Sylvia Klein, diretamente de Berlim, o poeta e escritor Kaio Carmona, direto de Luanda – Angola, e o músico multi-instrumentista Juninho Ibituruna, que vai conversar conosco de Lisboa – Portugal. Entre os participantes e parceiros, a Universidade Federal de Minas Gerais, o Palácio das Artes, a ArcelorMittal e as secretarias municipais de Meio Ambiente, Assistência Social e Esportes. Todas as ações são voluntárias e serão realizadas remotamente, seguindo todos protocolos de segurança para a contenção do vírus da Covid-19. Em nome da Fundação, peço a vocês que aproveitem essa oportunidade. É um presente carinhoso que preparamos para vocês.


(*) Nadja Lírio Furtado é cantora, compositora e diretora-presidente da Fundação Casa de Cultura