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Erivelton Braz
16 de Abril de 2021
Marca dos 100 dias

Na último sábado (10), prefeitos e vereadores completaram 100 dias dos mandatos assumidos em 1º de janeiro. A marca é emblemática para quem exerce a função pública. É que passados mais de três meses nos cargos, os chefes do Executivo e parlamentares já tiveram tempo para sinalizar a que vieram e a população também pode sentir como será o tom da gestão.

A data, conforme cartilha do Marketing Político e governamental, é importante para quem foi eleito, pois é depois desse período que a opinião pública, a oposição parlamentar e a imprensa têm condições de traçar um “perfil ” do governo que está gerindo o município. Os primeiros 100 dias, historicamente, funcionam como cartão de visita. 

Além disso, os dias resumem bem se o governo terá ou não a capacidade de realizar as promessas firmadas em campanha. Em Monlevade, por exemplo, o prefeito Laércio Ribeiro (PT) e o vice, Fabrício Lopes (Avante) prometeram uma série de ações para 120 primeiros dias. A marca será no fim do mês e o prefeito promete divulgar um balanço do período.

Até o momento, percebe-se um bom entrosamento do prefeito e vice, vistos sempre juntos, em reuniões, eventos e na tomada de decisões importantes do município. Na campanha, ambos anunciaram que uniriam a experiência de um à juventude do outro, para trabalhar por Monlevade. Fabrício assumiu a importante Secretaria de Planejamento, que tem a missão de arrancar projetos e garantir o cumprimento de metas da gestão.

Além do entrosamento entre eles, os 100 primeiros dias foram marcados por convergência com várias classes, políticas, empresariais e comunitárias, o que demonstra abertura do governo ao diálogo. Isso é um ponto positivo, já que não havia diálogo no governo da ex-prefeita Simone Carvalho (PTB), marcado por decisões unilaterais e verticais do marido dela. Isso é um ponto positivo para a atual gestão, uma vez que, na atualidade, força e competência devem estar aliadas à capacidade de dialogar com todos os grupos. 

Percebe-se uma aproximação também com a Câmara Municipal que ainda não demonstrou se a maioria dos parlamentares será situação ou oposição. O diálogo, na verdade, tem sido mais amistoso do que de embate. A olhar pelos 100 primeiros dias, Laércio e Fabrício terão vida fácil com os vereadores. Isso, porque não há, por enquanto, nenhum nome que se destaque como voz da oposição na atual legislatura. Mas tudo pode mudar, como as nuvens. 

Outra percepção desses 100 primeiros dias da administração em Monlevade trata-se do foco em Saúde e enfrentamento da pandemia, desafio maior de todos os gestores do país. Tentando conciliar economia e saúde, a administração em Monlevade apertou alguns segmentos, mas cedeu em outros e tem ainda o desafio de tirar as pessoas da rua. Precisa de mais comunicação e ações para evitar aglomerações em casas lotéricas, bancos e nas principais ruas e avenidas. Os ônibus também precisam de atenção para evitar superlotação. Mas em linhas gerais, o governo Laércio tomou medidas importantes como os repasses ao Hospital Margarida para enfrentar a Covid.

No entanto, nos primeiros 100 dias, ficou devendo ampliar a comunicação com a população. Faltou estreitar laços nas redes sociais, fazer lives, conceder entrevistas para a imprensa, fazer mais pronunciamentos. Ainda não ficou exatamente claro o que Laércio pretende fazer, a longo prazo, durante a sua gestão e qual será a principal missão e a marca que ele quer deixar do seu governo. Pode-se dizer que começou bem, mas Monlevade merece mais. A torcida é que os acertos sejam maiores que os erros, o que fará o governo crescer. Ainda é cedo para qualquer afirmação definitiva porque sempre é tempo de mudanças. 


(*) Erivelton Braz é editor do A Notícia e fundador da Rotha Assessoria em Comunicação