Desde 1984
Alessandra Teles
23 de Dezembro de 2020
Setênios
Chegamos a uma fase de nossas vidas que algo muito forte, dentro do peito, clama por mudanças.

Li uma vez sobre os ciclos da vida, chamados setênios, que dividem nossa existência em períodos de sete em sete anos.

São intervalos para absorção do conhecimento de uma etapa, e aí partimos para novos desafios.

Resumidamente:

•0 a 7 anos; fase das descobertas;

•7 a 14 anos; criação de uma identidade e percepção que todos somos diferentes;

•14 a 21 anos; entendimento que o mundo é infinito em possibilidades;

•21 a 28 anos; encontrar o nosso lugar no mundo é o principal objetivo;

•28 a 35 anos; reflexão sobre o passado e projeção para o futuro. É aqui que acontece a famosa “crise dos 30”, gerando muita frustração e angústia.

•35 a 42 anos; maior capacidade de julgamento. Nos sentimos no “topo da montanha”, que pode ser entendido também, como metade da vida, buscamos nossa essência.

•42 a 49 anos; recomeços, mudanças são necessárias depois de tantas dificuldades. Desapego em alta.

•49 a 56 anos; aceitação de nós mesmos, ouvindo mais o coração.

•56 a 63 anos (em diante); sabedoria interna, reflexões constantes.

Por que achei importante citar os setênios? Para explicar como esse sentimento de “mola encolhida”, me pegou em cheio. Quando começo a comparar as fases da minha vida com esse conceito da *antroposofia, as dúvidas vão se dissipando e tudo faz mais sentido.

Tenho 44 anos, mãe solo, estudei e trabalhei muito, conquistei minha casa, meu carro, depois vendi meu carro, não comprei a minha famosa casa dos sonhos, e à essa altura da vida, mesmo com o cenário tão incerto, estou fazendo uma transição de carreira por opção.

Estou com medo? Muito! É o certo a se fazer.... Não sei. As pessoas estão me apoiando? Algumas... outras acham que endoidei de vez. Mas mesmo diante de tantas interrogações, sinto que chegou o momento. Não tem cenário ideal, a hora é agora.

Uma amiga me contou que ao pular bungee jump, existe um segundo entre retirar as mãos de um ponto de apoio e segurar a corda. Um segundo que parece uma eternidade... Você fica livre, sem amarras, sem se apegar a nada... simplesmente acredita que tudo vai dar certo e PULA!

Estamos aqui, literalmente, falando em sair da zona de conforto (ou desconforto) e se jogar. Esses ciclos da nossa existência podem ser vistos como oportunidades de evolução e renovação.

Não importa em qual fase estamos, o que vale é aproveitar cada momento, se permitir, se acolher e saber que nada é eterno, por isso não devemos apegar tanto a ideias e buscar mais nossos ideais. Dê o melhor de si nas coisas, inclusive a si mesmo.

É impossível pular etapas, pegar um “Uber” e ir do ponto A da vida até o ponto B diretamente. Tudo tem seu tempo e deve ser respeitado, religiosamente, um dia de cada vez. O que precisamos é de um “GPS Emocional”, se perdermos o caminho, buscamos outra rota.

E lembrando que em alguns momentos, nossa história pode ser comparada a um jogo de videogame, se ficou mais difícil, é porque mudamos de fase. Então, vamos encarar cada experiência como um degrau, aprender, deixar ir o que não acrescenta e abraçar o novo!

* Buscar se conhecer, bem como o mundo ao nosso redor.

(*) Alessandra Teles é monlevadense e especialista em RH