Desde 1984
Erivelton Braz
13 de Março de 2020
Qual o tamanho do hospital

“O Hospital Margarida precisa ser do tamanho que os políticos querem que ele seja”. Ouvi essa frase outro dia e ela é atribuída a uma médica respeitável, dita há mais de 10 anos, quando as dificuldades do hospital entraram de vez na pauta do noticiário local. Pela força da expressão, achei a frase linda e muito significativa. Ela traduz bem os sentimentos de quem se dedica a manter a instituição de pé, em funcionamento pleno, em relação àqueles que podem ajudá-la a sobreviver financeiramente.

Por ser filantrópico, o Margarida vive de doações. Precisa da ajuda de todos. Aliás, a comunidade está de parabéns pelos esforços empenhados. Segundo balanço financeiro, no último ano, através de doações via carnês, contas de água, luz, troco solidário e com materiais, repassou cerca de R$800 mil. É quase R$1 milhão em prol do Hospital que é referência na região, que salva vidas e ajuda a melhorar a saúde das pessoas. Mas, muitas vezes, acaba sendo usado para fins eleitoreiros. 

Justamente por isso, o Hospital Margarida deveria ter ajuda constante, até por que, os serviços de saúde são essenciais à população, que é justamente, quem elege os políticos. Por isso, para continuar grandioso, merece todos os esforços para o seu funcionamento em plenitude. 

A afirmação da médica, que abre esse texto, tem um quê de revolta, mas mostra a realidade: se os políticos podem conseguir recursos para que o hospital seja grandioso, e isso é ótimo, que eles o façam sempre. Do contrário, que a casa de saúde seja do tamanho de seus proventos e de suas condições de atendimento.  E a mensagem vale também para o SUS que precisa aumentar o valor de seus pagamentos aos hospitais brasileiros. Para se ter ideia, em 2019, foram pagos R$12 milhões ao Margarida, mas os custos dos atendimentos ultrapassaram R$33 milhões. 

Pelo que representa, o Hospital é patrimônio de João Monlevade. E precisa ser tratado como tal. Principalmente, pelos políticos que sempre se valem dele no período eleitoral. Que eles redobrem a busca por recursos para que a casa de saúde continue como referência e prestando os serviços com a excelência de sempre.


Erivelton Braz é editor do A Notícia e fundador da Rotha Assessoria em Comunicação