A Vale inaugurou nesta quarta-feira (10), em Itabira, a Usina Modelo Conceição II, considerada pela mineradora a primeira unidade de beneficiamento de minério de ferro do país a operar de forma totalmente automatizada. O projeto recebeu investimentos de R$200 milhões e tem capacidade para processar até 11,2 milhões de toneladas de minério por ano.

A modernização da planta faz parte da estratégia da empresa de ampliar a digitalização de suas operações, incorporando inteligência artificial, análise de dados em tempo real e sistemas de automação capazes de monitorar e ajustar processos sem intervenção humana direta.

A implantação do novo modelo levou cerca de um ano e meio e envolveu a adoção de 51 soluções tecnológicas voltadas para aumentar a eficiência operacional, reduzir gargalos produtivos e ampliar a segurança dos trabalhadores.

A estrutura conta com mais de 100 câmeras equipadas com sensores de inteligência artificial, cerca de 7,3 mil instrumentos automatizados e sistemas capazes de monitorar mais de 400 variáveis ao longo de todo o processo de beneficiamento do minério.

Uma das principais mudanças é a operação remota dos equipamentos. Em vez de atuarem diretamente nas máquinas, os operadores acompanham e controlam as atividades a partir de uma sala de controle integrada. Em algumas situações, o próprio sistema realiza ajustes automáticos para otimizar o desempenho da usina.

Segundo a Vale, 122 empregados foram capacitados para atuar no novo modelo operacional. O treinamento incluiu simuladores e recursos de realidade virtual para reproduzir situações reais de trabalho e cenários de risco.

Sindicato destaca transição tecnológica

Durante a apresentação da usina, o presidente do Sindicato Metabase de Itabira e Região, André Viana Madeira, avaliou que a modernização representa um avanço para o setor mineral, mas ressaltou a necessidade de atenção aos impactos das transformações tecnológicas sobre os trabalhadores. Para ele, a automação é um processo inevitável, que exige investimentos permanentes em qualificação profissional. “É um avanço importante para a mineração e para Itabira, que historicamente sempre esteve ligada à inovação no setor. Mas esse processo precisa continuar sendo acompanhado de investimentos em qualificação profissional e valorização dos trabalhadores”, afirmou.

André destacou ainda que a discussão sobre inovação não deve se limitar às operações de mineração, mas envolver toda a cadeia logística e industrial ligada ao setor.

Ganhos operacionais

De acordo com a Vale, os resultados obtidos durante o período de testes da usina apontam aumento de produtividade e melhor aproveitamento do minério. A empresa informou que a produção de pellet feed (produto de maior valor agregado utilizado na indústria siderúrgica) cresceu cerca de 40% após a implantação do novo sistema. Também houve redução de 26% na quantidade de ferro presente nos rejeitos, resultado atribuído ao monitoramento em tempo real da qualidade do minério durante o processamento.

Segundo dados apresentados pela mineradora, a produtividade da usina aumentou 25% ao longo do projeto piloto. Em 2024, a unidade produziu cerca de 9 milhões de toneladas. Com a modernização, a capacidade operacional passou para 11,2 milhões de toneladas anuais.