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Geral
23 de Junho de 2022
Alta do diesel ameaça transporte coletivo em João Monlevade
João Vitor Simão

Prefeito reúne vereadores para debater o problema

Os recentes aumentos no preço dos combustíveis, sobretudo no do óleo diesel, item essencial para a operação dos ônibus, ameaça o serviço prestado pela Enscon Viação ao transporte público em João Monlevade.  A empresa, segundo o diretor Eduardo Lara, está em dificuldades para continuar operando e pode parar a prestação do serviço no município, se nenhuma medida for tomada. 

Segundo o empresário, em 17/06/2022, a Petrobras anunciou um aumento de 14,26% no preço do diesel, 39 dias apenas após o último reajuste de 8,87%. Com isso, atualmente, 50% da receita é usada para pagar os 140 mil litros de combustível gastos por mês. Isso, fora o reajuste de salários de funcionários, valores de peças para a manutenção e demais insumos. “A condição está insustentável. Já passou todos os limites”, afirma ao A Notícia.

A empresa recebe subsídio mensal da Prefeitura de João Monlevade, no valor de R$350 mil por mês, desde setembro do ano passado. Porém, segundo Lara, os recentes aumentos nos preços ultrapassam o benefício. Ele explica que o preço do diesel, em agosto de 2021, quando o repasse pelo município foi aprovado, era R$3,74 para a empresa. Hoje, o preço é R$6,51. “São R$2,76 mais caro ou 73,86% em 10 meses. Só esse aumento no diesel representa R$380 mil reais a mais por mês de despesa para a empresa colocar os ônibus das linhas regulares e os escolares na rua”, afirma Lara.  

Empresa apresenta alternativas 

Em entrevista ao jornal, na manhã de hoje, Eduardo Lara manifestou a preocupação com o sistema de transporte na cidade. Ele já comunicou o Executivo e solicitou a atenção urgente das autoridades para o risco da falta de atendimento em razão das dificuldades. 

Para manter a operação integral das linhas, sem prejuízos ao deslocamento da população, Lara apontou três possibilidades. Uma delas é a administração manter os R$350 mil de subsídio e a passagem dos coletivos aumentar para R$5,00. Outra é manter o subsídio de R$350 mil, mas cortar entre 20 e 25% das viagens, sobretudo as fora dos horários de pico. Uma terceira possibilidade, segundo ele, é dobrar o valor do subsídio, para R$700 mil mês e manter os preços das tarifas e o número de viagens atuais. “É importante ressaltar que estamos vindo de uma pandemia e não nos recuperamos totalmente dos dois anos em que tivemos redução do número de passageiros. O aumento da crise do diesel é mais um duro golpe a um sistema de transporte que já passou do seu limite. Estamos tendo muitas dificuldades. Antes, um pneu custava R$1 mil. Hoje é R$3 mil. Não encontramos peças, componentes eletrônicos por conta da crise da China e ainda precisamos fazer provisionamento de combustível para não faltar, encomendando com dois ou três dias de antecedência na refinaria”. 

 

Prefeito reúne vereadores para discutir solução

Na manhã de hoje (23), o prefeito de João Monlevade, Laércio Ribeiro (PT) e o vice Fabrício Lopes (Avante) convocaram uma reunião com os vereadores para discutirem possíveis alternativas para o transporte coletivo da cidade. Ao expor a situação, segundo a Prefeitura, Laércio alertou que é preciso pensar no cidadão. “Temos que unir forças e trabalhar em busca de uma solução que ajude a população usuária de ônibus”, ressaltou. O vice-prefeito lembrou que a questão não é específica de João Monlevade. “Cidades de todos os cantos do país estão com dificuldades no transporte público. Belo Horizonte e Itabira também estão enfrentando esse problema”, citou Fabrício.

Participaram do encontro o presidente da Câmara Municipal, Gustavo Maciel (Podemos), o líder de Governo na Câmara Belmar Diniz (PT), os vereadores Thiago Titó (PDT), Gustavo Prandini (PTB), Pastor Lieberth (União Brasil), Bruno Cabeção (Avante), Tonhão (Cidadania), Marquinho Dornelas (PDT), Fernando Linhares (União Brasil), Rael Alves (PSDB), Vanderlei Miranda (PDT) e Leles Pontes (Republicanos).

A Notícia apurou quem, no encontro, também foi tratada a elaboração do edital da licitação que escolherá a nova operadora do serviço de transporte na cidade. Recentemente, a Prefeitura também contratou a consultoria da Cidade Viva Engenheiros e Arquitetos para auxiliar a construção da concorrência, ao valor de R$250 mil.  A expectativa é que a licitação ocorra até o fim do mês de julho, quando termina o contrato.  A Enscon, que está na cidade desde 1990, pode participar do processo licitatório.