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Polícia
07 de Junho de 2022
Polícia Civil vai abrir inquérito para investigar morte de bebê

Óbito ocorreu no Hospital Margarida e gerou grande repercussão na cidade 

O delegado regional da Polícia Civil, Bernardo de Barros Machado, afirmou ao A Notícia que a Polícia Civil vai abrir um inquérito para investigar a morte da bebê de nove meses, ocorrida n Hospital Margarida no último fim de semana. “Estamos fazendo o REDS para instauração de inquérito policial e investigar o fato com todos os detalhes”, afirmou o delegado, que não forneceu mais detalhes do ocorrido.

Uma grave denúncia sobre o falecimento da criança circulou nas redes sociais a partir de domingo (5). Publicações amplamente compartilhadas denunciavam que uma bebê de nove meses de vida morreu após esperar por atendimento adequado por 12 horas no Hospital Margarida em João Monlevade.

O texto, escrito por uma pessoa que diz haver testemunhado o caso por também aguardar atendimento, acusa profissionais da casa de saúde de negligência. Segundo a postagem, a mãe e a criança chegaram ao local às 9 horas do sábado (4), mas o caso foi subestimado, como uma simples virose. No entanto, não havia médico para atender a bebê, que teve convulsões às 21 horas. A alegada testemunha diz que a família até conseguiu uma vaga em um hospital de Belo Horizonte, mas a vítima teve de ser entubada e acabou falecendo.

Críticas

O tom da publicação era de veemente crítica ao que Hospital Margarida e aos seus profissionais, e foi acompanhado por centenas de comentários de indignação. Neles, populares relataram que a instituição não dispunha de médicos suficientes ou que foram mal atendidas na casa de saúde, esperando muito até serem chamados ou recebendo um tratamento pouco cortês dos funcionários.

Hospital nega demora

Ainda no domingo (5), o Hospital Margarida emitiu uma nota, dizendo que a ficha de atendimento da bebê foi aberta às 9h34, recebendo os primeiros cuidados. Depois, às 10h17, a criança recebeu a primeira medicação, negando demora ao atendimento. Além disso, a própria instituição rechaçou qualquer falha no socorro à criança  e manifestou apoio e condolências à sua família.

Já na tarde de segunda-feira (6), ao ser questionado  sobre o motivo do óbito da bebê, o Hospital Margarida disse que: “somos vedados em fornecer informações do prontuário do paciente devido ao sigilo médico, porém conforme nota de esclarecimento emitida no dia de ontem não houve atraso ou demora no atendimento hospitalar da paciente, a equipe do Hospital Margarida não mediu esforços na tentativa de salvar a vida do bebê que infelizmente veio a óbito”.  

Conforme apurado, devido ao empenho das equipes, teria ocorrido demora de outros atendimentos a pessoas que estavam no hospital e que geraram muita reclamação. O Margarida ainda afastou as acusações de falta de médico infantil. A casa de saúde afirmou que possui um profissional disponível 24 horas por dia, durante 7 dias por semana.

Protocolo de atendimentos

Sobre os atendimentos, o Hospital reforçou que trabalha com o Protocolo de Manchester. Esse é um sistema de classificação de riscos, após triagem, que define o grau de urgência dos atendimentos.  Por meio da metodologia, é possível identificar de maneira mais rápida e efetiva, quais são os pacientes estáveis e aqueles com riscos mais elevados. Dessa forma, é possível organizar o atendimento para que os mais urgentes sejam recebidos primeiro. A importância de sua adoção está diretamente ligada à superlotação das unidades de saúde. Uma vez que possibilita uma organização rápida e efetiva dos pacientes, para que sejam priorizados aqueles de urgência. 

Veja como funciona o protocolo de Manchester

Emergencial: cor vermelha

Os casos de emergência são aqueles em que os indivíduos estão com risco de morte ou em condições de extrema gravidade. Ou seja, aqueles que precisam ser atendidos imediatamente. Entre os quadros mais comuns nesses casos, estão:

Crises de convulsão; 
Paradas cardiorrespiratórias;
Hemorragias sem controle;
Dor no peito com falta de ar;
Queimadura em mais de 25% do corpo;
Tentativa de suicídio, entre outros semelhantes.

Muito urgente: cor laranja

Pacientes urgentes, mas em um nível um pouco menos elevado do que o anterior. Em média, o tempo aceitável de espera nesses casos é de até 10 minutos. As condições geralmente tratadas como muito urgentes incluem:

Dores muito severas;
Cefaleia de rápida progressão;
Arritmia sem sinais de instabilidade;
Entre outras situações de igual gravidade.
 

Urgente: cor amarela

Nos casos urgentes, podemos considerar que existem riscos para o paciente, mas eles não são imediatos. Assim, o tempo de espera pode chegar a até 1 hora. Os casos mais comuns são:

Vômitos intensos;
Desmaios;
Crises de pânico;
Dores ou hemorragias moderadas;
Irregularidades nos sinais vitais;
Casos de hipertensão, e assim por diante.


Pouco urgente: cor verde

Os casos menos graves são identificados com pulseiras verdes e têm um tempo aceitável de espera de até 2 horas.

Nessas situações, é comum que os quadros incluam: febres, dores leves, viroses, tonturas, resfriados, náuseas, hemorragia sob controle, entre outros.

 

(Fonte: telemedicinamorsch.com.br)