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Polícia
03 de Maio de 2022
Família volta a sofrer drama por tragédia no trânsito

 Jovem morre após bater moto, dois anos depois de irmã ficar com sequelas por queda de motocicleta

Um acidente de trânsito aprofundou as dores de uma sofrida família monlevadense. Na tarde do último sábado (30), Marina Mara Andrade Nunes, de 34 anos, faleceu quando a motocicleta em que pilotava, chocou-se contra um carro do Corpo de Bombeiros. O acidente fatal aconteceu no bairro Vila Bretas, em Governador Valadares, cidade em que residia. Marina era irmã de Monaliza Cristina Ferreira Nunes, residente no bairro Vila Tanque, que sofreu um grave acidente no dia 18 de junho de 2020 e que, até hoje, sofre com sequelas.

E justamente Marina, era quem realizava campanhas e ações para arrecadar fraldas, luvas, álcool, lenços umedecidos e dinheiro para as despesas com o tratamento de sua irmã, que está acamada desde o acidente.

De acordo com o jornal Diário do Rio Doce, a viatura dos bombeiros deslocava-se para atender a uma ocorrência de vazamento de gás na casa de um idoso, no bairro São Pedro. Ao passar pela avenida JK, no entanto, o veículo de emergência colidiu contra a moto de Marina. Os militares prestaram socorro a ela, providenciando os primeiros socorros e tentando reanimá-la. Eles chamaram uma viatura do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que a encaminhou ao Hospital Municipal de Governador Valadares, mas ela não resistiu aos ferimentos. Ela foi sepultada em Monlevade no último domingo.

Mais uma vez, a tragédia atingiu em cheio a família, afetada pelo acidente que deixou Monaliza com sequelas graves. À época do acidente, ela ficou 22 dias internada numa Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em Belo Horizonte, tendo infecções e hidrocefalia. Desde então, necessita de cuidados especiais. A família é humilde e precisa da ajuda da comunidade para ajudar Monaliza. Além dos cuidados, Monaliza também tem cinco filhos, todos sob guarda da avó, Selma Andrade Nunes, no bairro Vila Tanque.  

Recentemente, Marina iniciou nova campanha para a aquisição de equipamentos a fim de fornecer maior qualidade de vida à sua irmã: a compra de um “guincho” para removê-la mais facilmente de sua cama. A conta estava em nome dela. Em breve, a família definirá os rumos das campanhas de arrecadação de doações para Monaliza Nunes. No momento, enlutados, não decidiram ainda como farão.

“Dor que não dá para explicar”

Ao Notícia, dona Selma falou do sofrimento pelo qual a família está passando. “É uma dor que não há como explicar”. Religiosa, ela agarra-se à fé para prosseguir com a vida: “Deus a deu a nós, Deus a levou de nós. Estamos confortados em Cristo”, disse. Dona Selma  exalta a história da filha, e sobretudo, os cuidados com a irmã, quando ela mais precisou: “A Marina era muito carinhosa e dedicada. Ela largou tudo para ficar com a Monaliza no Hospital João XXIII, e até brigava com os médicos quando era necessário”.  

Após o acidente com Monaliza, Selma mãe conta que temia que Marina também andasse de moto. Como dizem, coração de mãe nunca erra. Mas, em meio às lágrimas, Selma fala da generosidade de sua filha, que não ficava restrita apenas à irmã: “Ela foi luz na vida de muita gente. Marina via uma pessoa na rua e tinha dó. Com esse movimento, inclusive, ela ajudou muita gente em Governador Valadares”, conta a mãe.

A jovem foi sepultada em Monlevade no último domingo (1). Marina deixa os pais, cinco irmãos, sobrinhos e o namorado, com quem convivia há nove anos e planejava se casar. Ela tinha dois filhos adolescentes, de 14 e 15 anos, de um relacionamento anterior.