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Geral
12 de Janeiro de 2022
12 famílias são abrigadas na escola Eugênia Scharlé
João Vitor Simão
Dona Maria Evangelista recebeu abrigo na Escola

 

João Monlevade viveu no último fim de semana uma das piores calamidades de sua história recente. As enchentes inundaram bairros como Amazonas, Santa Cruz e Centro Industrial, forçando os moradores a abandonarem suas residências e buscarem abrigo em outros locais. A Prefeitura abriu a Escola Municipal Eugênia Scharlé, no bairro Vila Tanque, para acolher 12 famílias, um total de 38 pessoas, que tiveram suas casas ameaçadas ou invadidas pela água.

A secretária municipal de Assistência Social, Marinete Morais, conta que chegou a dormir uma noite na escola para garantir às famílias a melhor acolhida. Os desabrigados receberam água, alimentação, banho e itens de vestuário, calçados e higiene pessoal, entre outros. As famílias recebem quatro refeições por dia, em horários pré-determinados, mas dispõem de ampla liberdade para entrar e sair da escola quando quiserem.

Na segunda-feira (10), uma psicóloga esteve no prédio para conversar com os abrigados e ouvir suas queixas e sentimentos. Numa sala, estão roupas e sapatos, todos obtidos através de doações. Noutra, estão alimentos, também fornecidos pela comunidade. Segundo Marinete, as maiores necessidades agora são de peças de vestuário masculino e infantil.

Relatos

Dona Maria de Fátima Evangelista é moradora do bairro Amazonas há cerca de 30 anos, e conta que jamais presenciou uma enchente desse porte. Ela diz que o acolhimento na escola Eugênia Scharlé foi muito bom, mas não consegue ficar tranquila: “Ainda me sinto como se estivesse em choque”. A idosa acredita que, por conta da altura que a água alcançou, não conseguirá salvar nenhum dos pertences que ficou na casa inundada: “Meu filho me disse: ‘Mãe, os temperos da senhora estão todos n’água’”. Ela, que ainda não conseguiu se aposentar, pensa agora em como reaver os bens perdidos. Por conta disto, ela pede que a comunidade ajude com aquilo que puder para que ela possa reconstruir o seu lar.

Uma moça, também moradora do bairro Amazonas, que prefere não se identificar, conta que chegou à escola da Vila Tanque no início da noite do sábado (8), acompanhada da mãe e das duas filhas. Apesar de ainda não ter voltado à casa desde o dia da cheia, ela também acredita que perdeu tudo quanto possuía. Em sua família, apenas o marido trabalha. Mesmo assim, ela mantém-se forte: “Eu nem chorei. Sei que não vai adiantar. Mas, pelo menos, foram apenas perdas materiais. Com fé em Deus, a gente recupera o que perdeu”.

Mas não foram apenas as zonas próximas ao rio Piracicaba que estão sofrendo em decorrência das chuvas. Taiane Martins é moradora de uma casa de fundos na rua Andes, no bairro Promorar, que está ameaçada por um barranco. Por precaução, ela, o filho Nicolas, de 4 anos, a avó e dois irmãos dela foram removidos para a Escola Municipal Eugênia Scharlé. Nicolas brinca feliz na sala de aula transformada em residência improvisada, mas sempre questiona a mãe sobre quando a família voltará para casa. O seu temor, agora, é para que os bens que ficaram na casa não sejam saqueados por ladrões. Taiane pede que a Prefeitura de João Monlevade e as autoridades tenham atenção com a sua casa, se necessário for construindo um muro de arrimo, pois a família não tem condições de arcar com o serviço.