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19 de Novembro de 2021
Após queixas de assoreamento, Monlevade realiza primeiro Fórum das Águas

Foi realizado nesta sexta-feira (19) na Câmara Municipal de João Monlevade a primeira edição do Fórum das Águas, que discutiu a situação da chamada Microbacia do Córrego dos Coelhos. O curso d’água é afluente do rio Santa Bárbara, a fonte de abastecimento de água potável para João Monlevade. Segundo o vice-prefeito e secretário de Planejamento, Fabrício Lopes (Avante), o córrego abrange uma área de nove bairros, como o Nova Cachoeirinha, Ponte Funda, Chácara dos Coqueiros, Cidade Nova, entre outros, totalizando cerca de 10 mil moradores, conforme apontou o vereador Rael Alves (PSDB). 

Conforme apresentado no fórum, o córrego já foi caudaloso, mas o desmatamento, o crescimento desordenado e a especulação imobiliária degradaram a qualidade de suas águas. Uma alteração no Plano Diretor em 2015 acabou agravando o problema da bacia, de quatro quilômetros quadrados. O presidente da Câmara Municipal, Gustavo Maciel (Podemos), relatou que queixas sobre o assoreamento do córrego haviam chegado ao Legislativo no início do ano. O fórum estava sendo organizado desde junho, mas acabou postergado pela Covid-19. 

O diretor-geral do Departamento Municipal de Águas e Esgotos (DAE), José Afonso Martins, disse ao A Notícia que, caso o curso d’água estivesse recuperado, ele poderia servir como uma das alternativas de captação em caso de necessidade, como um rompimento de barragem que atingisse o rio Santa Bárbara. O assessor de Comunicação da Prefeitura, Geraldo Magela “Dindão” Gonçalves, assinalou que a culpa por eventuais enchentes ou escassez de água não é exclusiva do DAE ou da Prefeitura, mas de toda a coletividade. Segundo ele, o Brasil perderá 416 mil postos de trabalho e R$22 bilhões por conta da crise hídrica. 

Segundo o presidente do Comitê Gestor da Bacia Hidrográfica do Rio Piracicaba, Jorge Martins Borges, a microbacia tem uma vazão de 24 litros por segundo, mas a população de entorno produz 12 litros de esgoto ao mesmo tempo. Rafael Morais, da Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg), destacou que a maior parte da vegetação fica na face sul dos morros, onde há menos incidência solar, protegendo menos o rio.

Rael Alves sugeriu que seja feito um levantamento para recuperar as nascentes que estão na região do córrego, e mencionou a importância em incentivar os proprietários de onde há cursos d´água para que cerquem e reflorestem as áreas para a proteção das nascentes. Thiago Titó (PDT), autor das denúncias de assoreamento e destruição da mata ciliar do riacho, disse que ficou assustado após visitar o local. “O rio Santa Bárbara vem sofrendo com a falta de cuidado ao longo dos anos. Esse fator, infelizmente, contribuiu para que no futuro tenhamos uma má qualidade da água consumida. A água é fonte de vida e merece total atenção neste caso”. 

O engenheiro florestal Gláucio Marques, ex-chefe da Divisão de Meio Ambiente de João Monlevade e representante da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), foi enfático em falar que “a crise hídrica é um mal que precisamos combater”. Ele destacou ainda a necessidade de se cuidar dos solos, com plantio de vegetações, possibilitando que as águas corram com tranqüilidade e não sejam agredidas como tem sido no mundo todo. “Não podemos tapar nossos olhos para estes problemas. Precisamos sair de nossas mesas e lutar para que este mundo que temos agora seja melhor para a geração futura”.