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Geral
19 de Novembro de 2021
Ampliação da usina de Monlevade - Mão de obra local será prioridade

Entrevista

Fabiano Cristeli de Andrade
Diretor de Operações ArcelorMittal Monlevade

“A Usina de Monlevade será uma das maiores unidades de produção de fio-máquina do mundo”.

O diretor de operações da ArcelorMittal Monlevade, Fabiano Cristeli de Andrade, concedeu entrevista ao A Notícia, sobre os investimentos de R$2,5 bilhões para as obras de ampliação da Usina de Monlevade. Com esse aporte, a Usina quase dobrará a capacidade produtiva, passando do atual 1,2 milhão de toneladas/ano de aço bruto para 2,2 milhões de toneladas/ano em 2024. Conforme anunciado, no pico das obras, deverão ser gerados 5 mil empregos e, quando entrar em operação, serão 650 empregos diretos. A Usina vai priorizar a contratação de mão de obra local, impactando positivamente a economia de João Monlevade e região. Segundo o diretor, a primeira fase dos trabalhos deve ocorrer nos primeiros meses de 2022. Confira:

 

Como a unidade local recebeu a notícia dos investimentos bilionários na usina de Monlevade? E para você, que está à frente da Usina, qual é o sentimento de liderar esse projeto grandioso?

Recebemos o anúncio dos investimentos na unidade de Monlevade com muita satisfação. É um projeto muito importante para a empresa, para nossos empregados e para a cidade. Este ano é muito especial para a ArcelorMittal, pois completamos 100 anos de presença no Brasil e Monlevade é uma parte fundamental desta história. Estar à frente de uma usina tão importante em um momento de grandes investimentos reforça ainda mais a nossa responsabilidade em manter uma operação segura e sustentável.

Com a ampliação, a Usina de Monlevade será uma das maiores do Brasil em aços longos.  Quais são os desafios?

O primeiro desafio é manter uma operação segura para todos que aqui trabalham e que irão trabalhar conosco. Além disso, temos que continuar focados em qualidade que é o que nos coloca em uma posição de referência no segmento de aços especiais no mundo. Tudo isso considerando a competitividade do nosso negócio, a inovação e a sustentabilidade. A Usina de Monlevade será uma das maiores unidades de produção de fio-máquina para aplicações industriais do mundo.

Monlevade tem vocação para a produção do aço. O que representa a Usina ter sido a escolhida entre as diversas nos mais de 60 países para abrigar esse projeto grandioso? 

Os investimentos foram decididos por uma análise estratégica de negócios. O portfólio da Usina de Monlevade está focado em fio máquina para aplicações especiais que exigem alta qualidade, um grande diferencial nosso, e basicamente atendem à indústria automotiva. Um exemplo é o steel cord, que é a cordoalha de aço utilizada em pneus, e que só Monlevade produz no país. Estamos falando também de uma equipe comprometida e qualificada e com prioridade para a segurança. Destaco também inovação, tecnologia para produção de aços especiais, instalações e equipamentos. Temos um sistema de gestão consolidado, e contamos com nossa principal matéria-prima, o minério, produzida pela Mina do Andrade, bem próxima à Usina. Tudo isso, aliado ao foco do cliente na tomada de decisão, tornará a ArcelorMittal Monlevade cada vez mais uma referência no seu segmento.

Onde serão construídos o novo alto forno, a nova aciaria e a nova sinterização? 

Todos os novos equipamentos serão instalados em área interna. A nova Sinterização será montada próxima à atual fábrica de oxigênio. O segundo Alto-Forno ficará próximo ao primeiro e a duplicação da Aciaria ocorrerá dentro do próprio galpão onde está a produção de aços atualmente.

Também foi anunciado que os empregos diretos e indiretos podem chegar a 5 mil no pico das obras. A Usina vai oferecer algum suporte para o município lidar com essa demanda?

A empresa tem como política priorizar a mão de obra local em seu quadro próprio e, durante as obras, as empresas que estiverem atuando no projeto de expansão também serão orientadas a priorizar a mão de obra local quando possível, o que minimizará a vinda de pessoas de fora da cidade. Faremos um grande planejamento mapeando todos os impactos que podem ser gerados considerando a infraestrutura já disponível no município. Também vamos trabalhar próximo ao Poder Executivo, Legislativo, Polícias e demais segmentos da sociedade para juntos definirmos as melhores ações, considerando papéis e responsabilidades de cada parte.

Foram anunciados novos 650 empregos diretos e indiretos na Usina. Quais as principais demandas por profissionais?

Iremos demandar profissionais de todas as formações. Para tanto, faremos uso de programas internos de desenvolvimento como o Porta de Entrada (aprendizes), Estágio de Aço (estagiários de nível técnico e superior) e agora, recentemente, o Programa Qualificar, que está capacitando pessoas da comunidade em mecânica, elétrica e processos siderúrgicos e que, em breve, estarão aptas a concorrer a futuras oportunidades. Também iremos disponibilizar um site dedicado para o cadastro de currículos para os processos seletivos. E, claro, daremos prioridade para os moradores de nossa cidade e região, como sempre fizemos.

Sobre os recursos investidos de cerca de R$2,5 bilhões. É possível prever quanto o município pode arrecadar com as obras e a operação a partir de 2024?

O volume total de investimentos é de R$4,3 bilhões na ArcelorMittal Monlevade e na Mina de Serra Azul, em Itatiaiuçu/MG. Desse total, cerca de R$2,5 bi serão investidos na retomada do projeto de expansão de Monlevade, incluindo a Mina do Andrade. A produção de Monlevade será quase duplicada, portanto, a arrecadação, sem dúvida, irá aumentar. Não temos as projeções, uma vez que dependem de variáveis como preço, demanda e câmbio. Mas certamente esse investimento vai influenciar positivamente na receita do município de João Monlevade, tanto durante o período de obras quanto após a usina já com a capacidade ampliada.

Falando nisso, quanto a Usina de Monlevade já investiu no município em 2021 com pagamentos de salários, encargos, compras no mercado local, contratações, etc.? Qual a previsão desse investimento quando as obras já estiverem iniciadas?

A economia local é muito impactada positivamente por nossas operações. Fazendo um balanço do ano anterior, movimentamos cerca de R$450 milhões considerando compra de materiais e serviços com fornecedores locais. Além disso há que se considerar geração de empregos diretos e indiretos, que levam recursos para o comércio, a geração de impostos municipais e estaduais, que são revertidos pelo poder público em melhorias para a cidade, e também os investimentos sociais contínuos feitos pela Fundação ArcelorMittal. É importante destacar o legado que fica para a cidade, com mais oportunidades de trabalho e negócios, maior geração de receita e uma economia forte.

 Como ficam as comunidades do entorno da Usina? Haverá algum debate, alguma audiência pública para tratar a respeito das obras?

A obra já possui a licença de instalação emitida pelo órgão ambiental e a audiência pública foi realizada no início do projeto. A empresa preza pela boa relação com as comunidades onde possui operações e está atenta aos eventuais impactos que possam ocorrer durante o período de obras. Todo o planejamento considera a mitigação desses impactos para que não haja transtornos aos nossos vizinhos e à cidade como um todo. Cabe ressaltar que todos os equipamentos que serão instalados contemplam os respectivos mecanismos de controle ambiental em conformidade com a legislação aplicável para as condicionantes estabelecidas na licença de instalação. Isso já é uma premissa na linha da sustentabilidade do nosso negócio e dos nossos investimentos.