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03 de Setembro de 2021
Prefeito de Barão de Cocais diz que trabalhava como dentista quando foi vacinado contra o coronavírus
Arquivo JAN

O prefeito de Barão de Cocais, Décio Geraldo dos Santos (PSB), posicionou-se na noite desta quinta-feira (2) sobre a denúncia oferecida pelo Ministério Público contra ele por suposto desvio de vacinas contra a Covid-19. Em nota, publicada em suas redes sociais, Décio diz que continua trabalhando como dentista, o que justificaria o fato de haver sido vacinado em 15 de fevereiro, quando a campanha ainda era restrita aos profissionais de saúde. 

Sua esposa, complementa, é diretora da clínica em que trabalha, o que embasa o fato de ela também haver recebido a primeira dose em 25 de fevereiro. O prefeito argumenta que outros profissionais de odontologia e da saúde receberam a mesma vacina naquele momento, e diz que colabora com as investigações, que está disposto a prestar os esclarecimentos devidos e que confia na Justiça. 

Entenda

No fim da tarde desta quinta-feira (2), o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) ofereceu uma denúncia contra Décio por um alegado desvio de vacinas contra o coronavírus. Segundo o órgão, ele e a primeira-dama receberam a primeira dose do imunizante em seus braços durante o período em que apenas profissionais de saúde estariam autorizados, contrariando o Plano Nacional de Vacinação.

 O MPMG alega que um Procedimento Investigatório Criminal (PIC) demonstrou que o prefeito não estava trabalhando como dentista aquando da aplicação, e que Décio, “com o poder de gerência sobre a política de vacinação e ciente das normas atinentes, decidiu ser vacinado, bem como determinou que sua esposa igualmente o fosse, em detrimento dos indivíduos que deveriam e mereciam receber a vacina em primeiro lugar'. 

O Ministério Público pediu que o mandatário seja condenado nas sanções do artigo 1º, I, do Decreto-Lei 201/67, que considera crime de responsabilidade apropriar-se de bens ou rendas públicas ou desviá-los em proveito próprio; e por duas vezes, na forma do artigo 69 do Código Penal. A pena prevista é de reclusão, de dois a 12 anos, por cada um dos crimes.

Confira a íntegra da nota publicada pelo prefeito de Barão de Cocais: 

NOTA

Recebi nessa quinta-feira, dia 02 de setembro, a denúncia do Ministério Público de Minas Gerais sobre suspeitas referentes à minha vacinação e da minha esposa durante a campanha de imunização contra a Covid-19. 
De acordo com o que foi noticiado pelo Ministério Público, não foi demonstrado que eu atuava como dentista. Bom, isso simplesmente não procede e acredito que toda Barão de Cocais pode ser testemunha disso.
Tenho imenso respeito pelo MP e pelos órgãos de investigação. Mas como todos vocês sabem, somos dentistas e fomos vacinados, assim como demais profissionais, após todos os da linha de frente do Serviço Público no combate à Covid. Outros dentistas e trabalhadores da saúde também receberam a primeira dose naquele momento.
Meu trabalho como dentista, graças a Deus, é conhecido por todos e minha esposa, além de profissional atuante, é diretora da clínica onde trabalhamos.
Confio na Justiça e continuarei colaborando com as investigações, como já vinha fazendo. Estou, como sempre estive, aberto a prestar os esclarecimentos e com a consciência tranqüila, independentemente da aceitação ou não da denúncia.
Me orgulho da minha profissão de dentista, dos meus pacientes e das minhas funções como prefeito. Jamais desrespeitaria esses compromissos que assumi quando me formei e quando tomei posse como prefeito municipal.
Como todos os desafios já superados, tenho certeza de que mais esse também será. 
Vamos com fé. Obrigado pelo apoio de sempre! Um forte abraço.
Décio dos Santos