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Geral
30 de Julho de 2021
Presidente do Sindmon-Metal fala sobre reforma tributária
Wir Caetano

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de João Monlevade (Sindmon-Metal), Otacílio das Neves Coelho, aponta alguns pontos do projeto de reforma tributária proposto pelo Governo Federal, em trâmite no Congresso Nacional. De acordo com ele, os trabalhadores poderão ser afetados de forma negativa, inclusive aposentados e pensionistas. Segundo ele, a população tem que se manifestar, se posicionar contra. Confira: 

Como o Sindicato vê a reforma tributária proposta pelo governo federal em trâmite no Congresso Nacional?
Esse tema tem sido objeto de discussão das centrais sindicais e entidades afiliadas. A postura da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e sindicatos cutistas é de rejeição da proposta em sua totalidade por entenderam que ela atende apenas ao projeto neoliberal desse desgoverno: aumentar a concentração de renda em vez de combater a desigualdade social.

Quais são os prós e contras dessa reforma? Esse é o momento mais adequado?
Prós? Como dito na questão anterior, o que se pode ter é POSIÇÃO CONTRA. E, em um momento de pandemia, com aumento da pobreza e de múltiplas carências, a proposta vem apenas atender às intenções do atual desgoverno de consolidar o apoio de suas bases. E que bases suas essas? Ora, a “elite do atraso” (na expressão do sociólogo Jessé de Souza) que viabilizou a eleição de Bolsonaro e o mantém lá.

Em que e como ela pode impactar os trabalhadores, aposentados e pensionistas?
Conforme análise não só da CUT, mas de outras entidades comprometidas com um projeto de combate à desigualdade, essa proposta não ataca o problema dos impostos indiretos, que incidem sobre o consumo e pesam tanto sobre a sociedade. Assim, quem acaba pagando imposto de fato é o povo, os segmentos populares e a classe média assalariada – isso a proposta não muda. 

O que o Sindicato pensa da proposta de isenção de Imposto de Renda das entidades de previdência fechada e aberta, os conhecidos fundos de pensão?
Esses fundos de pensão têm neles dinheiro dos trabalhadores e das trabalhadoras. É um contrassenso que a mesma elite que ataca a Previdência Pública enfraqueça fundos de pensão, alguns deles de empresas públicas ou mistas, cujo patrimônio é construído pela classe trabalhadora. 

Qual é o papel da população nesse processo?
A população tem que se manifestar, se posicionar contra esse desgoverno. Mas ela não tem como fazer isso sem entender que está em curso um projeto é contra seus interesses, principalmente nesse mundo em que fake news tomam conta das redes sociais para ludibriar as pessoas. É importante que haja espaço para que lideranças populares se manifestem e desmontem o discurso elitista, concentrador e impopular desse desgoverno.