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Polícia
21 de Maio de 2021
Na pandemia, aumentam casos de violência contra a mulher

Com a pandemia do coronavírus, a regra de isolamento social, que envolve passar mais tempo dentro de casa, precisou ser respeitada por toda a população. “Infelizmente, isso gerou um grande aumento nos casos de violência contra a mulher, que pode acontecer por diferentes motivos”, destaca a advogada Elivânia Braz, presidente da Associação Mulheres em Ação (AMA), que defende a pauta das mulheres em João Monlevade. Segundo Elivânia, ainda por consequência do distanciamento social, a vítima encontra mais dificuldade de procurar ajuda, já que precisa respeitar o confinamento e nem sempre pode sair de casa. 
“Por esse motivo, a AMA criou um canal de apoio para ajudar a mulher a buscar ajuda em domicílio. No Instagram “BASTA!” (@apoioamulherjm) encontram-se posts informativos sobre os diferentes tipos de violências, canais de apoio disponíveis, formas de realizar a denúncia, e o telefone (31) 98552-3896, que serve para orientação e apoio psicológico”, informa a presidente.

Outras denúncias

Em caso de violência iminente, ou seja, que não está acontecendo no momento, a denúncia pode ser feita através do Disque 180. Caso seja uma situação que demanda ajuda imediata, a Polícia Militar deve ser acionada através do 190. Além disso, a vítima também pode procurar a Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (DEAM), que em João Monlevade está localizada na rua Bernardino Brandão, n° 180, bairro Rosário, e cujo telefone é (31) 3852-1166. É de grande importância a realização da denúncia a toda e qualquer tipo de violência.

Rede de enfrentamento

Segundo Elivânia, João Monlevade é uma das poucas cidades da região que possui todos os elementos da Rede de Enfrentamento a violência contra a mulher, ou seja, o Centro de Referência de Assistência Social (Cras), Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), Hospital, Delegacia Especializada, Defensoria Pública e Poder Judiciário. 
Entretanto, conforme a presidente, esses órgãos não atuam efetivamente no enfrentamento à violência contra a mulher. “Há um suporte às vítimas, mas os órgãos agem isoladamente e não vejo isso como positivo”, afirmou. A AMA está tentando, junto com os vereadores, realizar uma nova audiência pública para discutir essa temática e estabelecer ações conjuntas e mais efetivas para todos os órgãos atuantes no enfrentamento a violência doméstica e familiar.
“Ainda nos falta a Patrulha de Prevenção a Violência Doméstica da Polícia Militar. Durante a Audiência Pública da Assembleia, nossa pergunta acerca da vinda da patrulha para o interior foi transformada em requerimento pela presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, a deputada Ana Paula Siqueira (REDE), e estamos aguardando as tratativas para atendimento deste pleito”, afirma a presidente. Além disso, segundo ela, também falta a Vara Especializada da Violência Doméstica, que propõe que todos os processos envolvendo mulheres sejam desenvolvidos pelo mesmo juiz, a fim de evitar a possibilidade de revitimização da mulher. 
Cartilha
A AMA está divulgando a cartilha 'Sempre Vivas: serviços de atendimento à mulher - Entenda a Lei Maria da Penha e saiba como pedir ajuda'. O documento pode ser encontrado no site da Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais (almg.gov.br).  
Casa da Mulher

Desde a sua fundação, a AMA possui um projeto denominado Casa da Mulher, planejado para ser um espaço com profissionais para acolher, orientar, dar encaminhamento psicológico e assistencial, e capacitar a mulher vítima de violência. 
Por não ter fins lucrativos, a Associação ainda não conseguiu executar essa proposta, mas está em constante trabalho com o Poder Legislativo e Executivo Municipal para tentar, através de projeto de lei, a destinação de recursos para a manutenção de forma eficaz e definitiva para a Casa, e conseguir transformar esse projeto em realidade.