São Gonçalo do Rio Abaixo, município tradicionalmente associado à mineração, começa a ganhar espaço também em uma cadeia produtiva bem diferente: a do cacau. Instalada no município, a Fralía Cacau Brasil se apresenta como a primeira CacauTech do mundo. O conceito reúne tecnologia, inovação, biotecnologia e indústria para ampliar o aproveitamento do fruto e agregar valor à cadeia produtiva.

A proposta foi apresentada pela empresa nesta semana e a ideia é mudar a forma como a indústria enxerga o cacau que, atualmente, tem na amêndoa seu principal foco de aproveitamento. Segundo a Fralía, a amêndoa representa apenas entre 6% e 10% do fruto. Outras partes, como o mel de cacau, a sibira (placenta do fruto) e as fibras que envolvem a amêndoa ainda são pouco aproveitadas e, em muitos casos, descartadas. “O cacau é muito maior do que aquilo que tradicionalmente colocamos dentro da indústria”, defende o CEO da Fralía, Matheus Pedrosa dos Reis, que também preside o Conselho de Inovação e Tecnologia da Fiemg.

Tecnologia

A Fralía afirma que o conceito de CacauTech não é um departamento ou um projeto futuro, mas uma forma de organizar a própria operação da empresa, aproximando tecnologia, ciência, biotecnologia e capacidade industrial. “Nós não acreditamos na tecnologia que afasta ou substitui pessoas. Nós construímos a tecnologia que multiplica o potencial delas”, afirma Pedrosa.

A empresa atua na produção de derivados de cacau, como pó e manteiga. Criada originalmente em 2005 como Imperial, a companhia adotou a marca Fralía Cacau Brasil em 2016 e, desde então, ampliou sua presença no mercado nacional.
O movimento ganhou força com a expansão da fábrica, em nova unidade, instalada no Distrito Industrial II. O projeto prevê cerca de 70 empregos diretos e, segundo informações divulgadas pela empresa, faturamento superior a R$300 milhões por ano no pico do empreendimento.

Em 2025, a Fralía também entrou na 29ª posição do ranking “Negócios em Expansão”, da revista Exame, em parceria com BTG Pactual e PwC. Foi a única empresa mineira entre as 30 primeiras colocadas e o destaque do setor de alimentos e bebidas. Na época, a companhia anunciava a ampliação da planta e a meta de elevar a produção de 350 para até 1.000 toneladas mensais de derivados de cacau.

Diversificação

Para o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico de São Gonçalo, Gabriel Quintão, a expansão da Fralía se encaixa diretamente na estratégia de diversificação econômica adotada pelo município. Ele destaca que a Fralía está entre os empreendimentos que avançam em São Gonçalo e afirma que a nova planta representava uma oportunidade de fortalecer a indústria alimentícia no município. “A Fralía é um exemplo concreto de que o setor alimentício, identificado pelo Prospera+ como uma das vocações estratégicas do município, pode gerar investimentos, empregos e valor agregado”, afirmou Quintão em declaração sobre a expansão da empresa. O secretário também considera a presença de empresas como a Fralía um sinal de que a cidade está conseguindo ampliar sua base econômica.

De Minas para o mundo

É nesse cenário que a Fralía pretende posicionar São Gonçalo do Rio Abaixo em uma cadeia produtiva tradicionalmente distante de Minas Gerais. “Foi aqui, em Minas Gerais, a terra que aprendeu a transformar suor em potência industrial, que decidimos dar o próximo passo. Crescer por crescer é apenas ocupar espaço. Nós viemos para deixar um legado”, afirma o CEO da Fralía, Matheus Pedrosa.