Uma professora da Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg) de João Monlevade ensina a aplicar corretamente a Inteligência Artificial (IA) em sala de aula. Érika Márcia Assis de Souza acumula mais de duas décadas de docência, pesquisa e formação de educadores. Professora da Uemg há cinco anos, ela ampliou o seu escopo de atuação acadêmica justamente para um dos campos de estudo com mais inovações e revoluções nos últimos anos.
Érika coordena projetos de pesquisa e extensão que incluem, entre suas atividades, a capacitação de educadores para o uso ético, crítico e estratégico da IA. Certificada como Cientista da Inteligência Artificial, ela lidera a equipe responsável pelo projeto, que conta ainda com um professor voluntário e quatro alunos bolsistas, promovendo a articulação entre formação docente, investigação científica, extensão universitária e participação dos estudantes. A docente também integra a Comissão Temporária de Inteligência Artificial da Uemg, que regulamentará o uso de IA em todas as unidades da instituição no estado de Minas Gerais
Contribuições à sala de aula
Segundo Érika, a proposta da formação vai além de ensinar o funcionamento das ferramentas: “Os participantes são estimulados a compreender como a Inteligência Artificial pode contribuir para o planejamento de aulas, elaboração de materiais e desenvolvimento de estratégias pedagógicas, ao mesmo tempo em que discutem temas como ética, autoria, confiabilidade das informações, proteção de dados e pensamento crítico”.
Para a professora Érika Souza, preparar professores para esse cenário exige mais do que acompanhar o surgimento constante de novas plataformas. É necessário desenvolver competências que permitam avaliar criticamente o conteúdo produzido pela IA, reconhecer suas limitações e decidir quando e como a tecnologia pode contribuir efetivamente para o processo educacional: “A Inteligência Artificial pode ampliar possibilidades e apoiar o trabalho do professor, mas as decisões pedagógicas continuam sendo humanas. O educador precisa manter sua autonomia para analisar, questionar, contextualizar e decidir”
A professora também se afasta da visão e do uso da IA como um instrumento “preguiçoso” ou “comodista”, enfatizando que, se bem aplicada, pode trazer grandes contribuições à educação: “O potencial está em usá-la para estimular a curiosidade, a pesquisa, o questionamento e o pensamento crítico. Eu faço isso com os meus alunos. Levo para o laboratório e ensino, na prática, como interagir com a IA, analisar as respostas, verificar informações e construir conhecimento a partir dessa interação. Eu sempre digo a eles: a IA não deve fazer para o aluno, ela deve fazer com o aluno. Quando usamos dessa forma, ela deixa de ser um simples atalho e passa a ser uma verdadeira parceira no processo de aprendizagem”.
Professor é insubstituível
Atualmente, profissionais de um sem-número de categorias estão apreensivos pelo risco de a Inteligência Artificial mudar radicalmente a sua rotina de trabalho, ou mesmo deixá-los desempregados. Contudo, na percepção da professora Érika Souza, o professor continuará sendo importante para o aprendizado: “Eu não acredito que a IA vá substituir o professor. Ela pode assumir algumas tarefas, apoiar o planejamento, personalizar atividades e ampliar as possibilidades de aprendizagem, mas educação não é apenas transmissão de conteúdo. Existe uma dimensão humana que envolve vínculo, empatia, percepção do contexto e a capacidade de compreender as necessidades de cada aluno. Eu costumo dizer que a IA não substitui o professor, mas transforma a forma como o professor ensina e como o aluno aprende. Por isso, mais do que temer essa tecnologia, precisamos aprender a utilizá-la de forma crítica, ética e consciente”.
Para se inscrever, é necessário ingressar no grupo do projeto no aplicativo WhatsApp. O endereço é https://chat.whatsapp.com/D2meEo4gtMl8yhNVCff7sm?mode=gi_t


