Uma monlevadense tornou-se uma voz ativa na defesa e na promoção dos direitos das pessoas com obesidade. Inara Batista Silva, de 51 anos, participa e promove palestras, congressos e eventos para a compreensão global da obesidade, facilitando o entendimento a partir da perspectiva do paciente.

Em 2026, diz, ela já participou de dois eventos da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) e de várias audiências públicas, defendendo acessibilidade, inclusão e a formulação de políticas públicas de acolhimento. Ela representou a voz dos pacientes em debates nacionais sobre saúde, empregabilidade, cidadania e combate ao preconceito contra pessoas com obesidade.

Recentemente, Inara também tomou parte no congresso Aché Summit, promovido pela Aché Laboratórios Farmacêuticos, com uma audiência presencial de cerca de mil pessoas, e mais 7 mil acompanhando virtualmente. Nesta semana, ela visita o Hospital da Obesidade, para conhecer modelos de atendimento especializado que possam contribuir para melhorias e ampliação do acesso ao tratamento nos sistemas público e privado.

Inara conta que também atua no Departamento de Voz da Abeso, um órgão criado para estimular a escuta de pessoas com obesidade na formulação de políticas de acolhimento e tratamento. Ela também é a idealizadora do projeto sem fins lucrativos Fênix Beleza Plus, surgido em 2021, que realiza ensaios fotográficos para valorizar as mulheres nessa condição, elevando sua auto-estima e sua aceitação social.

Segundo Inara, através de parcerias com maquiadores, cabeleireiros e lojas de roupas, os cliques proporcionam um novo olhar para mulheres que antes tinham um conceito negativo de si próprias. A exemplo do que aconteceu consigo própria, ela guarda relatos das modelos que viram sua aceitação própria aumentar sensivelmente depois de participarem da iniciativa.

Ao A Notícia, Inara afirmou defender uma visão realista, sem “romantizar” ou “glamourizar” a obesidade, e lembrando que a obesidade é uma doença crônica. No entanto, ela enfatiza uma abordagem humanizada, ressaltando que a obesidade não se trata de desleixo nem de preguiça do paciente, mas que demanda atendimento cuidadoso e tratamento individualizado. “A obesidade precisa ser tratada com responsabilidade, acolhimento e humanidade. A pessoa com obesidade merece respeito, acesso ao tratamento e voz dentro dos espaços de decisão. As pessoas têm que ter essa consciência”, explicou. Ela lembra que, conforme a Organização Mundial de Saúde (OMS), o termo “obeso” deve ser evitado e substituído por “pessoa com obesidade”.